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Caenorhabditis elegans e alterações comportamentais decorrentes da exposição embrionária ao alumínio
Caroline Falabreti, Gabriela Mota Tibola, Carla Alves, Maisa Naeher, Ana Paula Pereira da Silva, Gabriel Bitencourt de Oliveira, Aline Pompermaier, Wagner Antonio Tamagno

Última alteração: 16-10-2025

Resumo


O avanço da industrialização tem intensificado a geração de resíduos, tornando os metais potencialmente tóxicos um problema ambiental e de saúde pública. O alumínio (Al), amplamente empregado em processos industriais por sua condutividade, maleabilidade e baixa densidade, vem sendo associado a efeitos adversos sobre o sistema nervoso, incluindo a possível participação no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Estudos sugerem que a exposição ao Al pode promover alterações fisiológicas e bioquímicas, afetando, entre outros, os sistemas antioxidante e enzimático. No entanto, ainda são escassos os dados sobre os efeitos desse metal durante o desenvolvimento embrionário e suas consequências na fase adulta. Com o objetivo de avaliar o impacto da exposição embrionária ao Al sobre parâmetros comportamentais, utilizou-se o nematóide Caenorhabditis elegans (cepa N2, tipo selvagem) como organismo modelo. Os animais foram mantidos em meio NGM (Nematode Growth Medium), alimentados com Escherichia coli OP50, a 20 °C. Os ovos foram expostos por 20 h às seguintes condições: controle (água) e soluções de Al a 5,5; 8,0; e 10,5 mg/L. Após atingirem a fase adulta, foram avaliados dois marcadores comportamentais: a taxa de flexões corporais (Body Bends), que indica a frequência de mudanças de eixo durante o deslocamento, e o batimento faríngeo, que reflete a taxa de alimentação. Os resultados preliminares indicam redução significativa da frequência de batimentos faríngeos em todas as concentrações testadas, quando comparadas ao controle. A movimentação apresentou redução na dose de 5,5 mg/L, mas aumento na maior concentração (10,5 mg/L), sugerindo resposta dose-dependente diferenciada. Esses achados indicam que a exposição ao alumínio, mesmo restrita à fase embrionária, exerce influência relevante sobre o comportamento dos animais na vida adulta. A integração desses resultados com análises bioquímicas permitirá elucidar de forma mais abrangente os mecanismos toxicológicos associados ao Al nos estágios iniciais do desenvolvimento. Avaliaremos posteriormente os efeitos multigeracionais e sobre o sistema nervoso do verme para finalizar o projeto.


Palavras-chave


Toxicologia do desenvolvimento; comportamento; metais