Última alteração: 10-12-2025
Resumo
Introdução
Discussões sobre políticas de educação linguística em língua inglesa na infância vem destacando-se no contexto contemporâneo (Tonelli, 2023; Brasil, 2018; Rajagopalan, 2011), considerando a representatividade do inglês como idioma de interação universal e visto que a aprendizagem de uma segunda língua nos primeiros anos escolares possibilita não apenas o desenvolvimento de competências comunicativas, mas estímulos cognitivos que favorecem a formação integral do estudante.
Atualmente o inglês é a língua estrangeira mais falada no mundo (Ethnologue, 2025), sendo considerado uma língua franca, ou seja, um idioma global que não se limita a um povo ou a uma cultura específica (Rajagopalan, 2011). No Brasil, conforme estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino da língua inglesa é introduzido de forma obrigatória a partir do sexto ano do ensino fundamental. Segundo o documento, o aprendizado do idioma em nosso país é visto sob uma perspectiva de educação linguística, consciente e crítica, sendo que as dimensões pedagógicas e políticas estão relacionadas. Nesse contexto, ao pensar em educação linguística em língua inglesa com crianças, deve-se buscar construir conhecimentos mais complexos a partir de práticas sociais e cotidianas vivenciadas na infância (Rocha, 2010).
Sabemos que diversas instituições privadas já incorporam o idioma como componente curricular desde a educação infantil e algumas instituições públicas seguem um caminho parecido ao trabalhar o inglês como parte diversificada do currículo na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, entretanto, a não obrigatoriedade da língua nos primeiros anos escolares pode aumentar a disparidade entre aqueles que têm acesso ao inglês desde o maternal na rede privada de ensino e aqueles que só terão contanto de maneira formal com o idioma a partir dos anos finais do ensino fundamental na rede pública.
Desde 2016, notamos um crescimento significativo na produção acadêmica acerca do bilinguismo na infância no Brasil, o que tem repercutido nas instituições de ensino do país, gerando discussões e incentivando investimentos em pesquisas e práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento linguístico desde os primeiros anos escolares. Recentemente, em março de 2025, o British Council, em parceria com pesquisadores brasileiros, publicou o Referencial para o ensino de língua inglesa nos anos iniciais do ensino fundamental na rede pública, evidenciando a ascensão do inglês no cenário educacional brasileiro e reafirmando sua relevância como língua adicional em um contexto globalizado.
A primeira infância constitui um período sensível para a aquisição linguística, especialmente até os seis anos de idade, quando o aparelho fonador ainda está em processo de formação e a exposição a diferentes idiomas contribui para a flexibilidade mental (Bialystoc, 2011), a valorização da diversidade cultural (Rocha, 2010) e a ampliação da visão de mundo dos estudantes (Lima; Martins, 2011). Nesse sentido, debater políticas públicas de educação linguística em língua inglesa na infância é fundamental para assegurar que o ensino do idioma seja implementado de forma democrática na rede e a sua ausência na educação infantil e nos anos iniciais pode ser considerada excludente e potencializadora de desigualdades (Rocha, 2010).
Metodologia
O colóquio intitulado “Educação linguística em língua inglesa na infância em Farroupilha/RS: desafios e possibilidades”, produto educacional vinculado ao Mestrado Profissional em Educação Básica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Farroupilha, teve como propósito fomentar reflexões acerca da relevância e da necessidade de desenvolver estratégias de formação específicas para o ensino de línguas adicionais com crianças. Considerando que, desde 2020, o município de Farroupilha/RS não contempla a oferta de língua inglesa como parte diversificada do currículo na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, o evento buscou compartilhar pesquisas recentes que defendem sua implementação desde a primeira infância. Além disso, o colóquio oportunizou momentos de diálogo, escuta e formação continuada, com ênfase nos professores de inglês da rede pública municipal, a fim de promover reflexões críticas sobre os desafios e as possibilidades de reinserção da língua inglesa desde a educação infantil no município, exemplificando ainda possibilidades através de cidades regionais como Bento Gonçalves/RS e Caxias do Sul/RS. A atividade de extensão ocorreu entre os meses de maio e julho de 2025, nas dependências do IFRS – Campus Farroupilha, por meio de quatro encontros presenciais, com colaboradores internos e externos e atividades remotas que totalizaram 20 horas de certificação aos inscritos no evento.
Resultados e Discussão
Como resultado das discussões, os participantes elaboraram uma carta aberta à sociedade, propondo que a temática seja debatida pelos órgãos públicos municipais, sobretudo na área da educação, em articulação com outros segmentos sociais. O documento objetiva mobilizar esforços coletivos em favor da reinserção do inglês em todas as escolas da rede pública municipal, abrangendo tanto a educação infantil quanto os anos iniciais do ensino fundamental.
Considerações finais
Acreditamos que discussões sobre políticas de educação linguística em língua inglesa na infância precisam considerar fatores como investimento público, formação docente, adequação curricular, metodologias de ensino, materiais didáticos e o acesso de crianças de diferentes contextos socioeconômicos, evitando a reprodução de desigualdades e promovendo uma educação linguística de qualidade, orientada para a equidade e inclusão em um mundo globalizado.