Última alteração: 09-12-2025
Resumo
A educação financeira tem sido reconhecida como essencial para a formação integral dos estudantes, uma vez que, em um contexto de rápidas transformações sociais, culturais e econômicas, gerir recursos e tomar decisões conscientes constitui uma competência fundamental para o exercício da cidadania. A BNCC orienta o ensino voltado ao desenvolvimento de competências que envolvem aspectos cognitivos, destacando a necessidade de interpretar informações financeiras e compreender situações do cotidiano como compras, investimentos, juros e tributos. Nesse cenário, o uso de metodologias ativas, como jogos didáticos, aparece como alternativa para promover engajamento e aprendizagem significativa. O presente trabalho analisou a aplicação do jogo “Bons Negócios” no ensino de matemática financeira em turmas do Ensino Médio de uma escola estadual, atividade desenvolvida por bolsistas do PIBID vinculados ao curso de Matemática do IFRS – Campus Bento Gonçalves. Inicialmente foi realizada uma pesquisa de diferentes jogos didáticos voltados à matemática, elegendo o “Bons Negócios” como mais adequado para aplicação. O jogo conta com cartas-dinheiro, cartas-produtos, cartas-cheque, cartas-desafio e uma folha para registro dos dados. Durante a análise, constatou-se que a folha de registro original do jogo não orientava de forma clara quanto ao preenchimento. Assim, foi elaborada uma nova versão contendo instruções detalhadas. Após ajustes, o jogo foi aplicado com acompanhamento da professora regente e observação sistemática dos bolsistas. Na aplicação, os alunos foram organizados em grupos e participaram de rodadas que simulavam situações de compra e venda, incluindo cartas-desafio que abordavam questões fiscais, sociais, ambientais e legais, aproximando a matemática financeira de situações reais. Os resultados mostraram alto engajamento e motivação dos estudantes, que rapidamente se apropriaram das regras. O uso da folha reformulada favoreceu a organização e a análise de ganhos e perdas, desenvolvendo habilidades de cálculo, planejamento e reflexão. Além disso, as cartas-desafio estimularam discussões interdisciplinares, reforçando a compreensão da matemática como instrumento de cidadania e não apenas de cálculo mecânico. O trabalho confirmou o potencial pedagógico dos jogos no ensino, articulando conteúdos matemáticos a competências da BNCC, como pensamento crítico, responsabilidade e protagonismo. Do ponto de vista formativo, a experiência foi relevante também para os bolsistas, que vivenciaram as etapas do trabalho docente, fortalecendo sua prática pedagógica e habilidades de mediação. Conclui-se que o uso de jogos didáticos, quando bem planejado, promove aprendizagem significativa e prazerosa, além de contribuir para a formação crítica e colaborativa dos estudantes. Repensa-se em ampliar a aplicação para outras turmas e investigar diferentes jogos e metodologias ativas, a fim de aprofundar a análise sobre os impactos da ludicidade na aprendizagem.