Última alteração: 11-12-2025
Resumo
A vitivinicultura é uma atividade de grande relevância socioeconômica no Rio Grande do Sul. O crescimento da produção orgânica de uvas tem estimulado a busca por alternativas sustentáveis de adubação, que reduzem a dependência de insumos industriais. Entre essas práticas destacam-se o uso de composto e vermicomposto de bagaço de uva, além de fontes minerais não industriais. No entanto, os impactos dessas práticas na produtividade e nas características do mosto da uva ainda são pouco compreendidos. O estudo teve como objetivo avaliar o desempenho da cultivar ‘Chardonnay’ sob diferentes manejos de adubação orgânica, analisando a disponibilidade de nutrientes e a produtividade dos vinhedos. A pesquisa busca contribuir para o uso mais eficiente de fontes alternativas de nutrientes, fortalecendo práticas sustentáveis na vitivinicultura. Para isso, o experimento foi implantado em 2020 em um vinhedo comercial em Veranópolis (RS), conduzido em sistema de latada sob cobertura de polipropileno. Anualmente, foram aplicados cinco manejos de adubação: composto de bagaço de uva, vermicomposto de bagaço de uva, composto + fertilizante mineral, vermicomposto + fertilizante mineral e apenas fertilizante mineral, além do controle (sem adubação). As doses de adubos orgânicos corresponderam a 40 kg de N ha–1, enquanto a adubação mineral consistiu em 160 kg de P₂O₅ ha–1 (fosfato natural) e 100 kg de K₂O ha–1 (sulfato de potássio). Na avaliação da safra de 2024/25, não houveram efeitos dos tratamentos sobre o teor de N foliar, a produção e qualidade das uvas, mas obteve tendência de maior rendimento no tratamento de composto e vermicomposto, obtendo em média 32,8 kg e 32,2 kg por planta, respectivamente, em relação ao controle (27,4 kg planta–1). Não houve efeito dos tratamentos sobre o teor de P disponível (Mehlich-3) no solo. Os resultados indicam que os diferentes tratamentos de manejo e a adubação mineral não influenciaram significativamente nenhuma das variáveis analisadas no vinhedo estudado. Os resultados indicam que os diferentes manejos de adubação, bem como a adubação mineral, não influenciaram significativamente as variáveis analisadas. Desta forma, a adubação pode ser temporariamente reduzida ou suspensa em vinhedos com monitoramento constante e fertilidade adequada do solo. O acompanhamento contínuo desses indicadores é essencial para evitar o declínio da fertilidade e garantir o equilíbrio nutricional das plantas. O experimento foi concluído após cinco anos de avaliação e não terá continuidade nas safras seguintes.