Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

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POTENCIALIZANDO MULHERES: A ORATÓRIA COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO
Karen Letícia Padilha Yasin, Kathlen Luana De Oliveira

Última alteração: 09-12-2025

Resumo


Este projeto de ensino tem como objeto a voz feminina no espaço escolar, tratando de uma demanda de grupos específicos que enfrentam dificuldades ao se expor publicamente em seminários e apresentações. Reconhecendo nesses contextos, os marcadores sociais, econômicos, de gênero, de cor de pele e de características corporais que produzem sofrimento e exclusão, pensamos o espaço escolar como lugar privilegiado para a equidade e para o enfrentamento dos silenciamentos. Deste modo o projeto busca potencializar ideias diferentes que muitas vezes permanecem invisibilizadas. A proposta visa fortalecer a atuação dos grupos por meio da oratória, compreendida aqui como ferramenta de poder e de construção de consciência crítica. Através do reconhecimento de si mesmas no espaço escolar, as estudantes podem transformar suas dificuldades de expressão, historicamente reforçadas pela ausência de metodologias que favoreçam a fala pública feminina. A iniciativa surge das dificuldades enfrentadas pelas estudantes que relataram nervosismo, insegurança, sofrimento, relacionadas à fala pública. A partir dessas necessidades, surge uma proposta que articula teoria e prática em encontros quinzenais estruturados em três eixos: leituras guiadas, rodas de conversa e oficinas de oratória. Estes momentos promovem a troca de experiências, o desenvolvimento da autoconfiança, o exercício da escuta e a reflexão crítica, que podem ampliar as perspectivas sobre o lugar de fala. Como referencial teórico adotamos o livro Mulheres e poder: um manifesto, de Mary Beard (2018), que demonstra como o poder foi historicamente estruturado para excluir as mulheres desde a Grécia Antiga. Dialogamos também com Lélia Gonzalez (1984), que evidencia o modo como o sexismo e o racismo organizam as relações de poder na sociedade brasileira, submetendo especialmente as mulheres negras ao silenciamento. Buscamos também o referencial de Rita Segato (2012) que contribui para demonstrar como a reprodução do pensamento colonial mantém as hierarquias de gênero que atravessam as experiências do presente. A proposta do projeto não é apenas estimular a autoconfiança e a apropriação da voz, de forma individual, mas sobretudo questionar os mecanismos históricos, sociais e coloniais que definem a relevância e modos da voz feminina. Nesse sentido, o projeto propõe por meio das práticas estimular a não passividade e o fortalecimento da autonomia das participantes. Além das atividades presenciais, foi criado um perfil no Instagram @o_quem_fala, destinado a divulgar ações, partilhar reflexões e ampliar o alcance da proposta. A presença digital gera identificação, promove redes de apoio e fortalece as mulheres em diferentes contextos. Os resultados parciais indicam que, apesar dos desafios, a iniciativa tem promovido avanços significativos na reconstrução de paradigmas sobre o direito à palavra, contribuindo para maior equilíbrio nas relações de poder e ampliando a consciência crítica das participantes como pessoas com direito à palavra.



Palavras-chave


Oratória; Gênero; Comunicação; Marcadores sociais; Direito à palavra.

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