Última alteração: 11-12-2025
Resumo
A inserção feminina nas cadeias de suprimentos ainda enfrenta desafios estruturais significativos, apesar dos avanços nas discussões sobre diversidade, equidade e inclusão. De acordo com o documento analisado “Mulheres em Supply Chain Management“, enquanto as indústrias de bens de consumo e saúde possuem mais representatividade feminina, os segmentos industriais e de soluções logísticas têm menos equidade de gênero, com menos representantes mulheres em cargos mais altos. Muitas empresas não priorizam o desenvolvimento de mulheres, mantendo ambientes dominados por homens e reproduzindo práticas que dificultam a progressão profissional. Neste contexto, a pesquisa investiga de que maneira mulheres que trabalham em empresas fornecedoras vivenciam as cadeias de suprimentos e como suas experiências influenciam a forma como essas cadeias se estruturam, apontando barreiras e oportunidades para a equidade. O estudo explora de que forma marcadores de identidade podem impactar a experiência profissional das mulheres e quais obstáculos ainda limitam sua participação e ascensão. A pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando entrevistas semiestruturadas com mulheres que trabalham em empresas fornecedoras e análise de documentos relacionados à diversidade e à gestão de cadeias de suprimentos. A pesquisa encontra-se na etapa de coleta de dados e realização das entrevistas, possibilitando a identificação de padrões. Resultados parciais indicam que o machismo enraizado influencia diretamente o posicionamento das mulheres no mercado de trabalho, de forma geral, e não apenas no setor de compras. A maternidade também impacta no trabalho, já que muitas mulheres enfrentam dificuldades para se afastar e posteriormente se reinserir no mercado. Além disso, a ausência de referências, informações e credibilidade em relação a situações discriminatórias faz com que muitas profissionais naturalizem experiências de desigualdade, sem reconhecer comportamentos machistas que hoje são considerados inaceitáveis. A idade também afeta essa percepção: mulheres com trajetórias mais longas podem ter vivenciado situações de discriminação que, na época, não eram formalizadas ou discutidas. Isso contribui para a normalização da sub-representação de mulheres na área de compras, reforçando a importância de que as empresas forneçam referências, informações e conscientização sobre preconceitos, auxiliando na identificação e no enfrentamento dessas situações. O estudo evidencia que promover diversidade vai além de aumentar a presença feminina. É necessário criar ambientes de confiança, fornecer informações sobre discriminação, valorizar trajetórias profissionais e inspirar mulheres a superar obstáculos. Apesar das dificuldades, ainda existem profissionais que conseguem romper barreiras e alcançar cargos de liderança, servindo de referência e inspiração para outras mulheres, reforçando a importância do protagonismo de mulheres que tornem o setor mais inclusivo, justo e equitativo.