Última alteração: 22-12-2025
Resumo
A análise sensorial é uma ferramenta que permite compreender a aceitação de alimentos e bebidas, fornecendo informações de interesse tanto para a indústria quanto para a pesquisa acadêmica. Quando direcionada ao público infantil, essa prática ultrapassa o campo técnico, assumindo também caráter educativo, pois favorece o desenvolvimento do vocabulário sensorial e incentiva escolhas alimentares mais saudáveis. No Brasil, a vitivinicultura ocupa papel cultural e socioeconômico de destaque, especialmente na Serra Gaúcha, onde a produção de sucos de uva representa um patrimônio regional e uma alternativa nutritiva de consumo. Nesse cenário, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul – IFRS Campus Bento Gonçalves tem buscado fortalecer sua atuação por meio de atividades de extensão que aproximam a comunidade da instituição. As oficinas de análise sensorial de “sucos de uva” oferecidas a crianças e adolescentes exemplificam esse movimento, ao integrar educação alimentar, valorização de produtos locais e vivência prática de metodologias científicas. Essa iniciativa possibilita não apenas a coleta de dados de aceitação, mas também cria um espaço de diálogo entre escola, famílias e comunidade acadêmica. As oficinas envolveram a avaliação de três tipos de bebidas: suco de uva tinto integral, néctar de uva tinto e preparado em pó para bebida sabor uva. Para garantir neutralidade, os sucos foram servidos em copos descartáveis numerados, sem identificação. A metodologia foi adaptada ao público infantil, utilizando escalas hedônicas simplificadas com ilustrações de expressões faciais (feliz, neutra ou triste), que facilitaram a manifestação das preferências de forma lúdica e acessível. A adesão das crianças demonstrou a viabilidade da proposta. Houve envolvimento significativo dos participantes, que compreenderam com facilidade o uso das escalas. Os resultados indicaram maior aceitação do suco de uva tinto integral, seguido pelo néctar, enquanto o preparado em pó apresentou menor preferência. Além das respostas individuais, observou-se que a atividade estimulou a socialização e a curiosidade sobre aromas e sabores. A linguagem acessível, associada ao caráter prático, contribuiu para reduzir barreiras de timidez e estimular a troca de experiências. Isso reforça o potencial da análise sensorial como recurso pedagógico e extensionista, aproximando ciência e cotidiano. Conclui-se que a degustação de “sucos de uva” no ambiente escolar, quando conduzida de maneira lúdica e participativa, constitui prática eficaz para unir ensino, pesquisa e extensão. Ainda, a experiência fortalece o papel do IFRS como promotor de educação alimentar, divulgação científica e valorização dos produtos locais, além de abrir caminho para replicação em outras comunidades e contextos educativos.