Última alteração: 11-12-2025
Resumo
O uso público em Unidades de Conservação (UCs) é o termo que descreve a visitação nessas áreas, podendo envolver o lazer, o turismo, as atividades desportivas, científicas e de educação e interpretação ambiental, sendo um fator econômico-social importante para as UCs, gerando empregos e renda para comunidades locais e contribuindo para o aumento da conscientização ambiental dos visitantes. Esta importância torna-se mais evidente com o recente lançamento da Política Nacional de Incentivo à Visitação em UCs (Lei n° 15.180/2025), que objetiva a criação de fundos privados para financiar e apoiar a visitação nas UCs, o que pode incrementar o acesso a recursos e simplificar a operacionalização deles. As parcerias público-privadas para a gestão do uso público em UCs constituem-se, também, em importante instrumento de política pública, garantindo o incremento de recursos para a manutenção e aprimoramento das atividades de visitação e gestão nessas áreas. Contudo, estudos sobre as parcerias entre entes públicos e privados para a gestão do uso público em UCs ainda são incipientes e estes são fundamentais para o fortalecimento do controle social dessas políticas. Um aspecto prioritário a ser estudado são os impactos ambientais gerados pela visitação em áreas com parcerias público-privadas, visto que o principal objetivo das UCs é a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Assim, o presente trabalho aborda um estudo sobre a utilização de indicadores biofísicos para avaliar os impactos da visitação em áreas concessionadas para a empresa Urbia Cânions Verdes, nos Parques Nacionais Aparados da Serra e Serra Geral (PNAS-PNSG). Este estudo faz parte de um projeto de abrangência nacional, desenvolvido em 13 UCs, de sete estados brasileiros, sob a coordenação do Observatório de Parcerias em Áreas Protegidas (OPAP). Um conjunto de 11 indicadores biofísicos foi definido para ser avaliado nos PNAS-PNSG. Deste conjunto, seis indicadores terão a coleta de dados a partir de documentos secundários a serem fornecidos pela gestão dos Parques, uma vez que fazem parte do Protocolo de Monitoramento de Impactos da Visitação. Outros cinco estão em fase de coleta de dados por parte dos pesquisadores. Nesta evento serão apresentados os resultados referentes a três destes indicadores: presença de vegetação rupícola considerada como recurso e valor fundamental na trilha Variante Curta da Borda Sul; ocorrência de locais/estruturas/equipamentos com oferta intencional ou não de alimento; e estado de conservação dos afloramentos rochosos na trilha do Cotovelo. Os resultados obtidos neste estudo serão utilizados como linha de base para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento que avalie os impactos das parcerias na gestão do uso público em UCs.