Última alteração: 09-12-2025
Resumo
O presente trabalho vincula-se ao projeto Geo(grafias) do Vivido, desenvolvido em 2025 no IFRS – Câmpus Rio Grande, cujo objetivo central consiste em ressignificar o ensino da disciplina de Geografia, mediante a incorporação das percepções e experiências dos discentes, com ênfase na realidade sociocultural e ambiental do município do Rio Grande/RS. A proposta fundamenta-se na valorização de saberes locais e práticas tradicionais, tais como a pesca artesanal, a agricultura de subsistência e as matrizes religiosas de origem africana, entendidas como expressões materiais e simbólicas do território. O referencial teórico ancora-se em contribuições da ciência geográfica, com Jussara Fraga Portugal e dialoga com a obra literária Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, de modo a integrar ciência geográfica e narrativa literária. A metodologia adotada privilegiou práticas didático-pedagógicas ativas, baseadas na escuta e no registro das percepções individuais, que foram posteriormente sistematizadas em produções teóricas, articulando conceitos da Geografia às vivências concretas dos estudantes. Inicialmente, foram realizadas dinâmicas de sensibilização e rodas de conversa, nas quais os alunos foram convidados a refletir e compartilhar suas vivências com o território onde vivem. Esses relatos foram registrados em diversos formatos — textos, desenhos, mapas mentais, fotografias e áudios — e serviram como base para a construção dos conceitos geográficos, como espaço, lugar, paisagem, território e região. Esse processo permitiu estabelecer conexões concretas entre as categorias teóricas e a realidade vivida pelos alunos, promovendo um aprendizado mais engajado e significativo. Na etapa final do projeto, foi proposta a construção coletiva de dois mapas conceituais interativos utilizando a plataforma digital Padlet. Os mapas foram estruturados com base nas categorias espaciais da Geografia e nos principais temas abordados em Torto Arado, como relações de poder, territorialidade, ancestralidade, resistência e pertencimento. Cada conceito foi ilustrado com exemplos extraídos, tanto das experiências dos estudantes quanto dos episódios da narrativa literária. Esse exercício permitiu visualizar, de forma integrada, as conexões entre teoria, literatura e vivência cotidiana, promovendo uma síntese criativa e crítica do percurso formativo. Por fim, os resultados observados foram diversos e significativos. Em primeiro lugar, notou-se um maior engajamento e interesse dos estudantes pela disciplina, motivado pelo reconhecimento de seus saberes e histórias como legítimos e valiosos. O uso dos mapas conceituais interativos mostrou-se uma estratégia eficaz para a organização do conhecimento e para o desenvolvimento da autonomia intelectual dos alunos. Além disso, a articulação entre Literatura e Geografia revelou-se uma importante ferramenta pedagógica, capaz de ampliar o repertório cultural e as possibilidades de interpretação da realidade.