Última alteração: 09-12-2025
Resumo
Este trabalho integra o projeto de ensino “Geo(grafias) do Vivido”, realizado no IFRS/Campus Rio Grande em 2025. O projeto propõe uma reflexão crítica sobre o espaço cotidiano dos estudantes, relacionando suas vivências com a história de grupos marginalizados. A partir da reconstrução do passado, especialmente das mulheres negras no período da escravização, busca-se valorizar memórias silenciadas, promovendo o reconhecimento de identidades, trajetórias e pertencimentos. A metodologia adotada segue uma perspectiva descolonial, inspirada no livro Por um Feminismo Afro-Latino-Americano, no qual foram fundamentais para melhor entendimento dos conceitos amefricanidade, pretuguês, raça e mulher de cor. A pesquisa documental foi realizada no acervo da Biblioteca Rio-Grandense, com foco na história e no papel social dessas mulheres negras escravizadas, no período de 1848 a 1852. Os registros revelam as condições degradantes a que eram submetidas, como o trabalho forçado, a sexualização de seus corpos e as funções que exerciam nas casas senhoriais, como amas de leite ou empregadas domésticas, sempre sem reconhecimento ou dignidade. Ao analisar esses documentos, também se buscou compreender como essas experiências impactaram a construção social e cultural da comunidade negra ao longo do tempo. Como resultados, a investigação auxiliou na produção de materiais pedagógicos que articulam o conteúdo histórico com as experiências dos estudantes. Adicionalmente, foi elaborado um glossário com os principais conceitos abordados, facilitando a compreensão crítica dos temas. Também foram organizadas tabelas que classificam as condições de vida dessas mulheres, suas funções, características físicas e sexuais, além das relações comerciais às quais estavam submetidas. Essa abordagem pedagógica visa não apenas informar, mas também provocar reflexões sobre as desigualdades estruturais que se perpetuam até hoje, servindo também como material didático-pedagógico nos conteúdos trabalhados em Geografia Agrária e Urbana. Além disso, o projeto estimulou debates em sala de aula sobre identidade, memória e resistência, incentivando os estudantes a relacionarem os acontecimentos históricos com o seu próprio cotidiano. A compreensão das trajetórias dessas mulheres possibilita reconhecer a força e a resiliência presentes em contextos de opressão e marginalização, promovendo empatia e consciência social. Assim, este trabalho contribui para resgatar e valorizar a história de mulheres negras escravizadas, conectando passado e presente e incentivando uma análise crítica das desigualdades ainda presentes na sociedade. Ao trazer à tona essas histórias, pretende-se fortalecer o compromisso com a justiça social e a promoção de espaços educativos que respeitem a diversidade e valorizem vozes historicamente silenciadas.