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Relações de gênero no contexto educacional: um estudo realizado no IFRS - campus Erechim
Gabriel Bertan, Natálie Pacheco Oliveira, Camila Carmona Dias

Última alteração: 22-12-2025

Resumo


As relações de gênero correspondem aos processos sociais que definem como homens, mulheres e pessoas de outras identidades de gênero se relacionam, a partir de papéis, comportamentos, expectativas e desigualdades culturalmente construídas. Nesse sentido, compreender tais relações é essencial para identificar tanto os mecanismos de reprodução de estigmas quanto às possibilidades de transformação social. As instituições de ensino, em particular, desempenham papel central nesse processo, pois vão além da transmissão de conhecimentos técnicos e científicos: constituem espaços de formação pessoal, social e cidadã. Assim, favorecem a autodescoberta, a construção da identidade e a convivência com a diversidade, influenciando diretamente a compreensão e a vivência das questões de gênero. Nesse contexto, em 2022 foi realizada a pesquisa “Estudo sobre as relações de gênero nos cursos técnicos subsequentes, graduações e pós-graduações do IFRS – Campus Erechim”. O objetivo consistiu em levantar índices de ingresso, evasão e conclusão de curso em relação ao gênero, bem como identificar episódios relacionados a situações de desigualdade vivenciadas pelos estudantes. Além disso, buscou-se compreender as percepções dos discentes acerca da divisão de papéis entre homens e mulheres nos âmbitos profissional, educacional e relacional. A pesquisa adotou uma abordagem metodológica mista, destacando-se a relevância das respostas qualitativas, que permitem acessar significados, crenças, valores e atitudes dificilmente mensuráveis por métodos puramente quantitativos. O instrumento de coleta de dados foi um questionário online, composto por perguntas abertas e fechadas, elaborado com pontos estratégicos para compreender de forma ampla as relações de gênero no contexto educacional. Os resultados evidenciaram desigualdades significativas entre homens e mulheres no campus, sobretudo no que diz respeito à permanência e ao êxito acadêmico, sendo as mulheres as mais prejudicadas. Observou-se também que grande parte dos discentes demonstra compreensão limitada sobre gênero, sexualidade e convivência entre diferentes identidades, o que reforça a necessidade de ampliar debates formativos sobre o tema. Outro dado relevante diz respeito à segurança: a maioria das estudantes mulheres relatou não se sentir segura no trajeto até o campus e em determinados espaços internos, revelando desafios estruturais e sociais que extrapolam a sala de aula. Conclui-se que os achados apontam para a urgência de políticas institucionais que promovam a equidade de gênero e ampliem a conscientização no ambiente escolar. Espera-se poder reaplicar a pesquisa em 2026, possibilitando a comparação de dados e a identificação de avanços ou retrocessos, oferecendo novas perspectivas para o enfrentamento das desigualdades de gênero no IFRS – Campus Erechim.



Palavras-chave


Gênero; Educação; Desigualdade.

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