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“Nós temos que defender as nossas famílias, se nós não tivermos filhos decentes, não teremos futuro”: a participação religiosa na política brasileira e suas articulações para a elaboração do Plano Nacional de Educação 2025-2035
Marianna Evaldt, Janine Bendorovicz Trevisan, Bianca Morini Bortolotto Silva

Última alteração: 11-12-2025

Resumo


O Plano Nacional de Educação (PNE), é um documento redigido a cada dez anos e tem o objetivo nortear as metas, diretrizes e estratégias para a educação brasileira. No início de 2024, com o intuito de elaborar o novo plano, que deveria ter vigência de 2024-2034, foi realizada a Conferência Nacional de Educação (CONAE). O evento foi promovido com a proposta de avaliar o plano nacional que estava vigente e apresentar o plano futuro. Após a publicação do documento base para o novo PNE, instituições religiosas e conservadoras começaram a fazer diversas críticas ao documento. Após a repercussão e visando fazer alterações no documento base, foram promovidas audiências públicas no Senado Federal, no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e em Câmaras Municipais. O presente trabalho analisou os discursos usados nessas audiências e buscou focar na fala de grupos conservadores e religiosos. Usando da Análise de Discurso, investigou-se como as falas desses grupos utilizam uma oposição que de um lado tem “nós” (representado pelos valores conservadores, religiosos e do bem) e de outro “eles” (representando aqueles que pensam de forma diferente e que defendem pautas como a laicidade do Estado e os direitos LGBTQIAPN+). Para elaborar essa pesquisa, vídeos de audiências públicas realizadas entre março de 2024 e março de 2025 foram analisados. Os resultados demonstram que os sujeitos religiosos muitas vezes colocam-se como os únicos donos da verdade e do bem, enquanto quem pensa diferente não tem nenhuma opinião de valor. Esse maniqueísmo funciona como uma estratégia que cria um pânico moral na população e desqualifica o outro por pensar de outro modo. Esses discursos vão muito além de meras opiniões e interferem nas medidas educacionais para o país, já que podem reforçar comportamentos preconceituosos e pouco inclusivos para o ambiente escolar.



Palavras-chave


Lideranças religiosas; Plano Nacional de Educação; Análise de Discurso

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