Última alteração: 09-12-2025
Resumo
Este projeto de ensino tem como proposta estudar sobre violências de gênero e sobre lutas e resistências da comunidade LGBTQIAPN+ e, em 2025, o enfoque é transgeneridade. O projeto acontece desde 2022 e é realizado em cooperação com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (NEPGS) do Campus Osório do IFRS. O objetivo é abordar as questões de gênero e sexualidade no ambiente escolar e assegurar que os direitos de pessoas LGBTQIAPN+ não sejam violados, tornando o campus em um espaço de escuta. Assim, há possibilidades de os estudantes reconhecerem, principalmente, as violências; como a disseminação de ódio contra pessoas LGBTQIAPN+ em forma de “piada”, exclusões por parte de alunos ou professores, isolamento e comentários sobre o corpo e aparência, entre outros. Refletir e reconhecer a realidade estudantil na escola possui uma grande importância, pois conseguimos criar meios de ação para mudar a estrutura, afinal, quem não segue o padrão heteronormativo está vulnerável ao preconceito. A partir do momento em que estas violências afetam a relação de ensino-aprendizagem dos estudantes, é imprescindível tomar a iniciativa de mudança e concretização dos direitos humanos. Para cumprir nossos objetivos, a metodologia proposta aconteceu em três etapas: 1°) leitura de textos e artigos sobre as temáticas de gênero e direitos humanos como referências de Guacira Lopes Louro, Sofia Favero, Sofia Berenice Bento, Heleieth Saffioti; 2°) realização de encontros acolhedores e de escuta para dialogar sobre necessidades dos estudantes no campus; 3°) produção de materiais educativos que são divulgados e disponibilizados online, como por exemplo, murais. Com as rodas de estudo, percebemos que as escolas públicas e privadas no nosso país não oferecem amparo para pessoas LGBTQIAPN+. As escolas em sua maioria não possuem pessoas preparadas para o acolhimento e, em poucos casos, há psicólogos. Sem falar na sobrecarga e na falta de pessoas no campo educacional. E ainda, nem todas as pessoas profissionais estão qualificadas para o atendimento da comunidade LGBTQIAPN+. Docentes possuem medo ou incompreensões sobre a diversidade e não estão preparados para oferecer suporte aos alunos ou lidar com a LGBTFobia dentro de sala de aula. Tendo isso em vista, podemos perceber que a luta por mudanças na estrutura educacional é imensa. Logo, com as ações do projeto os resultados são perceptíveis, os estudantes LGBTQIAPN+ do campus se sentem acolhidos, representados e reconhecidos. Com isso, apontamos a importância da existência de projetos com as temáticas de gênero e sexualidade, da existência de ações afirmativas no IFRS e da existência dos Núcleos de Estudos de Gênero e Sexualidades. Contudo, ainda é preciso fortalecimento dessas ações e políticas. E ainda assim, essas ações possibilitam a construção do reconhecimento das diversas identidades dentro do campus, tornando-o um espaço ético.