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Análise das taxas de endogenia em periódicos técnico-científicos da RFEPCT
Última alteração: 11-12-2025
Resumo
A qualidade dos periódicos científicos depende não apenas de aspectos técnicos e editoriais, mas também da diversidade autoral e do equilíbrio na gestão editorial. Nesse sentido, o conceito de endogenia — entendido como a proporção de artigos publicados por autores vinculados à instituição editora (endogenia institucional) ou por membros do corpo editorial (endogenia editorial) — torna-se um indicador fundamental. Em instituições como a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), cuja missão envolve valorizar a produção local, a análise da endogenia se justifica como estratégia para compreender tanto os avanços quanto os limites de suas publicações científicas. Este trabalho teve como objetivo mensurar e analisar o grau de endogenia em periódicos da RFEPCT. Foram analisados 151 periódicos da RFEPCT, dos quais 128 atenderam aos critérios de inclusão, como possuir ISSN online válido e metadados acessíveis via protocolo OAI-PMH. A coleta foi automatizada por meio de scripts em Python, que extraíram informações sobre artigos, autores, afiliações institucionais e equipes editoriais entre 2020 e 2025. Após a padronização de nomes institucionais e identificação de membros editoriais, os dados foram organizados em base relacional. A endogenia institucional foi calculada pela proporção de artigos com autores da instituição editora; a endogenia editorial, pela proporção de artigos assinados por editores. Foram aplicadas estatísticas descritivas e gráficos de frequência para interpretação dos resultados. Os resultados revelaram índices expressivos. A endogenia institucional variou entre 32% e 68%, com média de aproximadamente 50%, o que indica que metade da produção publicada é de autoria de membros da própria instituição editora. Já a endogenia editorial oscilou entre 30% e 60%, com média de 45%, evidenciando participação significativa de editores também como autores. Esses percentuais reforçam a importância dos periódicos como espaços de valorização da produção local, mas também levantam preocupações quanto ao equilíbrio editorial, à pluralidade científica e à inserção internacional. Níveis elevados de endogenia podem reduzir a atratividade para contribuições externas, comprometer a imparcialidade editorial e limitar o alcance das publicações em bases qualificadas. Conclui-se que o enfrentamento da endogenia exige políticas editoriais mais transparentes, incentivo a colaborações interinstitucionais e estímulo à submissão de autores externos. Tais medidas são fundamentais para assegurar que os periódicos da RFEPCT consolidem sua relevância científica, ampliem sua visibilidade e se tornem espaços de circulação de conhecimento mais inclusivos e representativos.
Palavras-chave
Endogenia; Periódicos Científicos; Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
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