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Proposições para o aumento de mulheres nos cursos técnicos do campus Rio Grande a partir da caracterização do perfil de candidatos e de ingressantes
Última alteração: 11-12-2025
Resumo
De acordo com uma pesquisa realizada em 2024 pelo Instituto de Engenharia e Tecnologia, um dos principais fatores para a discrepância de gênero nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática é a falta de incentivo às mulheres para considerarem uma carreira nessas áreas durante a escola. Essa realidade, também, se reflete nos dados de seleção do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Diante desse cenário, foi desenvolvido um projeto que objetiva estimular o interesse de meninas e mulheres por formações técnicas e científicas contribuindo para a redução da desigualdade de gênero. Ao todo, 245 estudantes do ensino fundamental, entre meninos e meninas de 11 escolas públicas de Rio Grande e de São José do Norte, participaram das oficinas e responderam ao questionário pós-atividade. Além de 67 estudantes ingressantes dos cursos técnicos integrados e 74 dos cursos subsequentes do Campus Rio Grande. As oficinas, voltadas para turmas do oitavo e nono ano, incluíram apresentações sobre o processo de ingresso no IFRS, experimentos relacionados aos cursos ofertados e experimentos de química. As ações foram majoritariamente organizadas por professoras e contaram com a participação de alunas dos cursos técnicos, servindo como inspiração para as meninas do fundamental. A coleta de dados revelou: 55% das meninas manifestaram intenção de prestar o teste de seleção do IFRS; entre as preferências de curso, 19,2% das meninas citaram Automação Industrial, enquanto 29,1% dos meninos destacaram Mecânica. No ingresso de 2025/1, observou-se redução da participação feminina em relação a 2024/1, com exceção do curso de Geoprocessamento, onde as meninas representaram 81% dos aprovados. Já no subsequente, a maior presença feminina foi registrada em Enfermagem, com 89%. Outro dado relevante diz respeito à divisão de tarefas domésticas: 26,8% das meninas do integrado e 41,2% das mulheres do subsequente relataram ser responsáveis por esse tipo de trabalho. Esses números reforçam que responsabilidades familiares ainda impactam de forma desigual a rotina e as possibilidades de formação das alunas. O que possibilita relacionar que a escolha do curso é impactada pela divisão social do trabalho doméstico, onde as mulheres são as principais responsáveis por atividades de cuidado do lar e dos filhos/irmãos. O projeto demonstrou potencial para despertar o interesse de meninas pelo IFRS, evidenciado pelo maior percentual de alunas do fundamental que desejam prestar o teste de seleção. Ainda assim, após apenas um ano, não se observam mudanças significativas na distribuição de gênero, o que é esperado em iniciativas que enfrentam barreiras culturais e estruturais. A concentração feminina em cursos como Geoprocessamento e Enfermagem e a maior carga de trabalho doméstico entre alunas reforçam a necessidade de ações contínuas, com mentoria e divulgação permanente, para ampliar gradualmente a participação feminina em todas as áreas técnicas.
Palavras-chave
Desigualdade de gênero; Mulheres na ciência; Divulgação científica
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