Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

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Educação Ambiental (EA) crítica em tempos de mudanças climáticas: reconectar a humanidade com Soluções baseadas na Natureza (SbN)
Maristela Cichelero, Elisangela Muncinelli Caldas Barbosa

Última alteração: 10-12-2025

Resumo


A Educação Ambiental (EA) é fruto de um processo histórico que reflete a relação da humanidade com o meio ambiente e a maneira como o ser humano percebe suas transformações. Em constante construção, a EA deve ser abordada de forma crítica, considerando sua complexidade e fundamentando-se em uma epistemologia multidisciplinar. Além disso, precisa expandir, consolidando-se como um campo de conhecimento e também como um campo social. É pelo conhecimento que o indivíduo se conscientiza e compreende a problemática ambiental, e a partir disso, irá comportar-se buscando soluções, com reflexões mais profundas da responsabilidade individual e coletiva perante as problemáticas socioambientais, o que é fundamental para a mudança de visão da sociedade sobre a natureza e a mudança de visão da sociedade com ela mesma (Mazurek, 2020). Diante do agravamento da crise ambiental, com as  Mudanças Climáticas (MC) e eventos extremos, por exemplo, é urgente promover ações educativas que (re)conectem e instiguem o senso de pertencimento, e preencham a lacuna entre o ensino tradicional e as práticas reais de cuidado com o planeta, integrando saberes ecológicos, científicos e culturais. Segundo Krenak (2019), a sociedade de consumo em que estamos inseridos, embalados com a história de que somos a humanidade, acaba por nos apartar do meio ambiente, onde fomos alienados e passamos a pensar que nós e a Terra somos distintos, porém somos todos pertencentes a mesma natureza. De acordo com De Moraes e Gonçalves (2020), a formação emancipatória do ser humano ligado à natureza, com EA crítica, forma protagonistas dentro das escolas e cidadãos que irão difundir para a sociedade. A pesquisa proposta pretende despertar o olhar desde cedo nos alunos e encorajar para um futuro com qualidade de vida e harmonia com o Universo. O objetivo geral do trabalho é impactar e envolver a comunidade escolar promovendo EA relacionada aos eventos extremos do clima, onde os alunos serão instruídos para práticas e reflexões que visem perceber para transformar o espaço escolar e a comunidade, buscando aproximar e estreitar a relação homem e natureza para melhorar a qualidade de vida no modelo social contemporâneo. A intenção é desenvolver junto com os estudantes de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) - Campus Farroupilha, iniciativas mitigadoras. Está em execução um projeto piloto de extensão intitulado “Educação Ambiental Climática: mitigação das ilhas de calor e enchentes com base comunitária", que promove oficinas práticas envolvendo essas reflexões. Nesse sentido, serão abordadas as  Soluções baseadas na Natureza (SbN) definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como:

“[...] ações para proteger, gerir de forma sustentável e restaurar os ecossistemas naturais ou modificados, que abordam os desafios sociais de forma eficaz e adaptativa, proporcionando simultaneamente o bem-estar humano e os benefícios da biodiversidade [...]” (Kaam e Gallardo, 2023; IUCN, 2020).

Adicionalmente, as SbN estão em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Agenda 2030 da ONU (2025). O projeto piloto, assim como o presente projeto de pesquisa estão em desenvolvimento no Mestrado Profissional em Educação Básica (MPEB) do IFRS - Campus Farroupilha e apresentam resultados parciais no aprofundamento teórico que embasará as formas adequadas de abordagem com aproximadamente 60 alunos do primeiro ano do Ensino Médio Técnico. A execução da prática docente da pesquisa, se fará através da metodologia de pesquisa-ação, um método que consiste em elucidar problemas sociais e técnicos essenciais,  que sejam relevantes cientificamente, intermediado por grupos de pesquisadores, membros da situação--problema e outros atores e parceiros interessados na resolução dos problemas levantados ou interessados no avanço de formulações adequadas para respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas (Thiollent, 2011). Primeiramente, haverá ações de engajamento dos alunos com o projeto, após será iniciado às aplicações (FIGURA 1), que demonstra  o  conceito  de  investigação-ação,  em um  movimento  cíclico com etapas que se desenvolvem a partir da identificação do problema, o planejamento da ação, buscando a solução, a implementação, o monitoramento, assim percebendo a viabilidade com os efeitos e resultados (Corrêa, Campos e Almagro, 2018).

Figura 1: Movimento cíclico da investigação-ação em quatro fases básicas.


Palavras-chave


Educação Ambiental; Humanidade; Soluções baseadas na Natureza (SbN).

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