Última alteração: 08-12-2025
Resumo
A desigualdade de gênero continua muito presente na sociedade. Os papéis de gênero, como construções sociais, moldam os comportamentos e expectativas de meninos e meninas desde a infância, influenciando as formas de estímulo e incentivo de suas capacidades. No ambiente acadêmico das ciências exatas é comum que as mulheres sejam subestimadas e menosprezadas, já que, culturalmente, essas áreas são consideradas masculinas. Esta pesquisa teve como objetivo compreender os desafios e analisar medidas que colaborem na superação de barreiras que limitam o ingresso e o reconhecimento feminino em áreas STEM. A relevância do tema abordado se justifica pelo fato de que, apesar dos avanços, as mulheres seguem minoria nesses ambientes, sobretudo em cargos de prestígio e liderança, devido a barreiras culturais, institucionais e simbólicas. A pesquisa tem abordagem qualitativa e utilizou diversas estratégias metodológicas, incluindo uma revisão bibliográfica que analisou produções acadêmicas sobre a desigualdade de gênero nas ciências exatas. Dentre os artigos selecionados para o aprofundamento do tema, temos um na plataforma SciELO e vinte e dois no CAPES, localizados pela palavra-chave ‘Dificuldade das mulheres nas áreas de STEM’. Como segunda estratégia metodológica, buscou-se acompanhar as ações do projeto “Meninas nas Ciências” do IFRS Campus Osório, que tem como objetivo estimular o interesse e a permanência de meninas em STEM. Ele inclui aproximação com instituições, mentorias e oficinas de ciência e tecnologia, visando fortalecer o vínculo com a ciência e o despertar para vocações. Por fim, o projeto também realizou uma pesquisa de caráter exploratório e participativo, com base na metodologia de grupos focais. Nesta etapa, participaram quatro estudantes do 3º ano do Ensino Médio Integrado do IFRS Campus Osório, de forma voluntária. Os temas abordados foram estereótipos de gênero na ciência, sentimentos em relação à Matemática e representatividade feminina nas áreas exatas. Os resultados apontam que a sub-representação feminina nas áreas exatas não decorre da falta de habilidade, mas de fatores sociais, culturais e educacionais que atuam desde a educação básica, consolidando crenças que afetam a autoestima acadêmica das alunas em disciplinas como Matemática e influenciando suas escolhas acadêmicas e profissionais. Por outro lado, também tivemos um avanço no vínculo das participantes do projeto “Meninas nas Ciências” e o despertar para vocações em áreas historicamente masculinas, especialmente entre meninas negras e de baixa renda. Conclui-se que a inclusão de mulheres em áreas STEM contribui para a diversidade e fortalece a qualidade científica, pois diferentes perspectivas geram criatividade e soluções mais sólidas. Compreender as relações de gênero na escola e adotar práticas para reduzir estereótipos é essencial para promover a equidade e encorajar meninas a ingressarem nas áreas exatas. Assim, constrói-se um espaço científico mais justo e inovador, que promove a cidadania e amplia o acesso ao conhecimento.