Última alteração: 08-12-2025
Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo compreender a atuação de lideranças comunitárias no enfrentamento ao fenômeno da violência contra a mulher no bairro Restinga, em Porto Alegre. Localizado no Extremo Sul da capital do Rio Grande do Sul, o bairro surgiu nos anos 60 a partir de processos de remoção de grupos populacionais do centro da cidade para uma região periférica. Por vezes, a Restinga é classificada por discursos que envolvem a violência, desigualdades sociais e práticas de resistência dos seus habitantes, especialmente por lideranças comunitárias. Além disso, há relatos de ser um bairro em que há um elevado número de registros de ocorrências relacionadas à violência contra a mulher, o que o torna um espaço central para compreendermos este fenômeno e a atuação de lideranças no território neste enfrentamento. A metodologia desta pesquisa é qualitativa e foi organizada em etapas: a) Leituras e discussões de textos; b) Mapeamento de lideranças comunitárias através da elaboração de formulário online enviado via e-mail institucional e divulgação em salas de aula; c) Elaboração de roteiro de entrevistas; d) Agendamento e realização de entrevistas com lideranças comunitárias; e) Transcrição; f) Análise dos dados coletados. Como resultados parciais das entrevistas realizadas, identificamos que as lideranças comunitárias possuem um papel fundamental na vida das mulheres em situação de violência, pois elas atuam como agentes de proteção, orientação e intermediação entre as mulheres e as instituições públicas, como a rede de saúde, assistência social, delegacias e escolas. O trabalho que executam inclui rodas de conversa, estratégias para que as mulheres se sintam confortáveis para o diálogo, acompanhamento até as delegacias, incentivo na realização da denúncia e acompanhamento após esse processo. Suas atuações enfrentam questões significativas, como as condições de vulnerabilidade socioeconômica vivenciadas pelas famílias atendidas e os desafios envolvidos no processo de acompanhamento de um registro na delegacia. Além disso, por se tratar de uma região periférica que convive com presença do tráfico de drogas, o trabalho muitas vezes acaba por ser afetado, pois as mulheres atendidas têm receio de formalizar denúncias e suas existências também podem correr riscos. Como conclusões deste trabalho, entendemos que as lideranças possuem um papel central no enfrentamento à violência doméstica no bairro. Uma atuação permeada por um acolhimento, auxílio e incentivo à denúncia em um território que convive com condições que vulnerabilizam certas existências.