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Leituras Elásticas: estratégia para formar jovens leitores na perspectiva do letramento artístico
Ana Mikaela PEREIRA RIBEIRO, Ana Paula Cecato de Oliveira

Última alteração: 22-12-2025

Resumo


Em um contexto no qual o imaginário social da leitura está enfraquecido e perdem-se leitores, como mostram pesquisas como a “Retratos da Leitura do Brasil” (2024), é necessário lançar mão de novas estratégias para a formação de leitores. No caso dos jovens, é preciso dialogar com seus repertórios e práticas culturais, de forma a aproximar a literatura de seus universos cotidianos. Nesse sentido, a pedagoga Carolina Sanches (2022) propõe o conceito de “Leituras Elásticas”, uma proposta que entende o livro não como ponto final, mas como ponto de partida para outras materialidades criativas. A ideia é expandir a experiência leitora para diferentes linguagens e plataformas, tais como jogos, vídeos, redes sociais, fanfictions, podcasts, conectando a literatura às produções culturais já presentes no dia a dia dos jovens. No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Viamão, o projeto de extensão “Leituras Elásticas: letramentos artísticos em diálogo com a literatura”,  tem colocado esse conceito em prática com jovens estudantes do Ensino Médio por meio de oficinas de teatro. O objetivo das oficinas tem sido unir leitura, discussão e adaptação de textos literários ao processo de criação teatral, de modo a intensificar o letramento literário e artístico. Durante as atividades, os estudantes leram a crônica “Mas em que mundo tu vive?”, de José Falero, e obras de autoras como Lília Guerra e Dalva Maria Soares, e exploraram a experiência de transformar obras literárias em roteiros cênicos. Assim, a literatura ultrapassou a página e ganhou corpo no palco, ampliando a vivência dos estudantes para além da leitura. O conceito de leituras elásticas foi mobilizado ao integrar arte, leitura e criação coletiva, mostrando que a literatura pode se desdobrar em diferentes linguagens. A partir da participação desses jovens, buscou-se, por meio de  um questionário aplicado ao público das oficinas, compreender como essa abordagem está contribuindo para a formação de leitores. Os resultados do questionário foram bastante reveladores, a maioria dos estudantes destacou o quanto a crônica de Falero, com sua linguagem acessível e próxima da realidade, os envolveu. Além disso, a encenação teatral foi apontada como essencial para a compreensão e apropriação do texto, tornando a leitura mais concreta, viva e significativa. Muitos participantes afirmaram, ainda, que a experiência despertou vontade de buscar outras leituras, valorizando também o aspecto social e colaborativo das oficinas. Em síntese, a prática mostrou que o teatro, aliado à literatura, pode ser uma ferramenta poderosa para atrair os jovens ao universo da leitura. As oficinas confirmam o potencial das leituras elásticas como estratégia eficaz, não apenas por aproximar os estudantes dos livros, mas por ampliar seu repertório cultural e desenvolver o letramento literário

Palavras-chave


Leituras elásticas; Jovens; Leitura.

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