Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

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Validação da estimativa da velocidade do fluxo de água do Arroio da Areia para implantação de sistemas de alerta
Raíssa Ferreira da Silva, Fernando Luis Hillebrand, Cindy Helly dos Santos, Davi Berlitz, Evelyn Roos Ullmann

Última alteração: 22-12-2025

Resumo


Os eventos hidrológicos extremos têm se intensificado nos últimos anos, com destaque para o ocorrido em maio de 2024, evidenciando a necessidade de os municípios investirem em políticas, programas e ações voltados a sistemas de monitoramento e alerta antecipado. No caso de Rolante/RS, o município encontra-se classificado na faixa C do Indicador de Capacidade Municipal (ICM) em gestão de riscos e desastres, nível considerado intermediário baixo. Entre os desastres naturais recorrentes, destacam-se as enxurradas, decorrentes da rápida elevação dos níveis dos rios que atravessam o território. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a aplicabilidade das equações empíricas de Jarret e de Manning para a estimativa da velocidade do fluxo no Arroio da Areia, localizado no município de Rolante/RS. Para validar os resultados, foi realizada uma análise do deslocamento temporal do pico do hidrograma entre dois pontos monitorados por sensores automáticos de nível, instalados em seções distintas do curso d’água, posicionadas a montante e a jusante, distanciadas em 10.320 metros. Os sensores registraram variações no nível de água em intervalos de 10 minutos, no período de 15/12/2024 a 15/03/2025, permitindo a construção de séries temporais detalhadas para eventos significativos de precipitação. Os hidrogramas obtidos possibilitaram a identificação do horário exato de ocorrência do pico de elevação do nível de água em cada seção. A defasagem temporal entre os picos a montante e a jusante foi utilizada para estimar o tempo de deslocamento da onda de cheia. Com base na distância entre as seções e no intervalo de tempo decorrido, calculou-se a velocidade de propagação do fluxo, assumindo-se que o pico do hidrograma representa o avanço máximo da onda de enxurrada. Foram analisados dois eventos hidrológicos extremos ao longo do período de monitoramento. As velocidades observadas in situ foram de 2,15 m/s e 1,43 m/s. A aplicação das equações empíricas resultou, para Jarret, em 2,52 m/s e 1,95 m/s, e para Manning, em 2,19 m/s e 1,79 m/s, respectivamente. Os resultados indicaram que ambas as equações superestimam a velocidade em relação aos valores observados, sendo, entretanto, a equação de Manning a que apresentou maior proximidade com as medições de campo. Esses resultados demonstram a relevância da utilização de equações empíricas como alternativa em contextos nos quais não há instrumentação disponível, fornecendo subsídios importantes para a antecipação da propagação da onda de cheia e para o planejamento de ações emergenciais de evacuação em áreas de risco.

Palavras-chave


Bacia hidrográfica; Hidrograma; Propagação da onda de cheia.

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