Tamanho da fonte:
Matemática, identidades dissidentes e os Institutos Federais: sentidos revelados em uma sequência didática
Última alteração: 08-12-2025
Resumo
Nesta pesquisa, buscamos analisar conhecimentos produzidos e compartilhados por estudantes do Ensino Médio a partir de uma sequência didática que explora aproximações entre a Educação Matemática e os estudos de gênero e sexualidades. Por um lado, a Educação Matemática tradicionalmente é estudada e ensinada de forma dissociada a questões socioculturais, porém, o silêncio é resultado de uma lógica estrutural e funciona como mantenedor de desigualdades. Por outro lado, há escassez de trabalhos sobre as possibilidades de relação entre as temáticas e sobre a visão das pessoas da comunidade escolar sobre essa relação. Desta forma, neste trabalho buscamos analisar o que dois grupos focais compostos por estudantes do Ensino Médio pensam sobre Matemática, sobre a relação entre gênero e Matemática, e sobre a relação entre gênero e o campus Osório do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Para isso, primeiramente realizamos uma pesquisa bibliográfica exploratória sobre relações entre gênero, sexualidades e Educação Matemática, incluindo Educação Matemática Crítica e Estudos de Gênero. A partir dos estudos, foi elaborado o roteiro para os grupos focais, que consiste em uma sequência de atividades que têm como foco as relações entre gênero e Matemática. Foram elaborados também um questionário inicial, para construção de perfil dos grupos, e um questionário final, para reflexão e avaliação. Foram realizados dois grupos focais com estudantes do Ensino Médio do campus Osório. Para a análise de dados, foi feita a categorização prévia, organização dos dados, categorização e análise qualitativa a partir da bibliografia estudada. Com os dados obtidos dos grupos focais, tanto em falas quanto nas ideias expostas nos questionários e nas atividades, pudemos verificar barreiras atitudinais por parte de algumas pessoas estudantes ao estudo da temática de gênero. Também verificamos essas barreiras por parte de algumas pessoas responsáveis que, de acordo com relatos de estudantes, têm visões estereotipadas sobre o campus. Em outra linha, percebemos que a visão de muitas pessoas participantes sobre a Matemática segue o seu entendimento tradicional, ou seja, que é difícil e desconectada da realidade. Assim, argumentam que discussões LGBTQIAPN+ deveriam ser debatidas em disciplinas das Ciências ditas Humanas. Essa visão provavelmente é influenciada pela ausência de discussões sobre gênero e sexualidades nas suas aulas de Matemática, como exposto pelas respostas do questionário inicial. Por outro lado, muitas pessoas se mostraram abertas a essa nova possibilidade, interessadas em discutir a temática de gênero e em estudar a Matemática de forma diferente do convencional. Concluímos que as pessoas estudantes apresentaram tanto aberturas quanto barreiras à aprendizagem relacionada com a temática de gênero. Assim, se mostram necessárias mais pesquisas sobre as concepções da comunidade escolar, assim como mais práticas diversas na Educação Matemática para a desconstrução de ideias que mantêm desigualdades.
Palavras-chave
Educação Matemática; LGBTQIAPN+; aprendizagens
Texto completo:
PDF