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Uma análise do fenômeno da violência contra a mulher a partir da atuação das lideranças comunitárias no bairro Restinga
Mirian Pasturiza da Silva, Helena Patini Lancellotti

Última alteração: 08-12-2025

Resumo


A pesquisa “Uma análise do fenômeno da violência contra a mulher a partir da atuação das lideranças comunitárias no bairro Restinga” investiga de que forma lideranças comunitárias atuam no combate à violência contra as mulheres em uma das maiores periferias urbanas de Porto Alegre, o bairro Restinga. O objetivo geral é compreender como essas práticas cotidianas de enfrentamento, construídas a partir da realidade local, contribuem para redes de proteção e cuidado. Longe de representarem somente formas de resistência diante do que poderia ser entendido como ausência estatal, tais lideranças podem ser compreendidas como margens constitutivas do Estado (Das & Poole, 2004), exercendo cotidianamente funções de mediação, articulação de políticas públicas e garantia de direitos. O estudo justifica-se pela relevância de compreender pela relevância de compreender os modos pelos quais as comunidades periféricas constroem respostas à violência de gênero, produzindo alternativas para a promoção de direitos.A pesquisa, de natureza qualitativa, envolveu o mapeamento de instituições e lideranças atuantes na temática, entrevistas e análise de dados. As entrevistas foram gravadas, transcritas e conduzidas com base em um roteiro semiestruturado. Até o momento, foram entrevistadas oito lideranças do bairro. Os resultados parciais apontam que as lideranças exercem papel fundamental como mediadoras entre a comunidade e os serviços públicos, funcionando como ponte entre o território e o aparato institucional, promovendo ações de escuta, orientação e encaminhamento.Observa-se, ainda, que essas lideranças desenvolvem redes informais de cuidado baseadas em vínculos de confiança, amizade e solidariedade. Em muitos casos, mobilizam saberes jurídicos populares e estratégias que articulam o conhecimento da legislação com a experiência vivida e os laços comunitários. Assim sendo, contribuem para a estrutura de enfrentamento à violência de gênero, assumindo um protagonismo essencial na construção cotidiana de proteção e cuidado nas margens urbanas.

Palavras-chave


Violência contra as mulheres; Lideranças Comunitárias; Margens do Estado.

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