Última alteração: 08-12-2025
Resumo
O final da Primeira Guerra Mundial acarretou em uma profunda crise econômica e moral na Alemanha. Este país sofreu a imposição de grandes indenizações pelo Tratado de Versalhes, acordo que colocou oficialmente um final ao conflito, o que fez com que se iniciasse uma constante procura de culpados pela situação vivida pelo país. A frustração pela derrota e a instabilidade vivenciada no período pós-guerra alimentou ideários com bases em um discurso militarista, nacionalista e de ódio a determinados segmentos sociais: o nazifascismo. Tais perspectivas ainda permeiam o tecido social e, portanto, é fundamental o uso de diferentes ferramentas para refletir sobre este momento da história. O objetivo desta pesquisa é analisar as representações e papéis atribuídos às personagens femininas de quadrinhos ambientados nesse contexto totalitário, além de observar as expectativas sociais referentes a este grupo. O projeto, de cunho qualitativo, teve como metodologia uma robusta revisão bibliográfica sobre temas como histórias em quadrinhos, nazifascismo e gênero. Foram selecionadas três obras para a análise: Maus (2005), de Art Spiegelman; Adolf (2006), de Osamu Tezuka; e O diário de Anne Frank (2017), de Ari Folman e David Polonsky. Estas foram escolhidas por apresentarem histórias de personagens que sofreram as diferentes consequências de políticas repressivas dos governos nazifascistas. Durante a leitura, foram evidenciadas as cenas que apresentavam diferentes formas de desempenho do papel feminino. Foram registradas as personagens femininas presentes nas HQ, separando aquelas que apareciam de modo mais recorrente, para realizar uma comparação entre elas em aspectos como o trabalho, família e violências sofridas em comparação com outros personagens. O apelo aos valores considerados tradicionais é constante para reforçar uma hierarquia de gênero valorizada pelas políticas nazifascistas. Em Maus, Anja é representada constantemente como frágil, sendo retratada na obra integralmente pelo olhar masculino. Adolf conta a história de Rosa e Yuke, duas mulheres que sofrem de formas diferentes as violências presentes em seu contexto. O Diário de Anne Frank narra a trágica vida da menina que precisou lidar com a ameaça nazista enquanto vivenciava situações de tensão com seus familiares por não corresponder às expectativas sociais de gênero. Pode-se concluir que os estudos sobre as questões de gênero mostram-se essenciais para compreendermos elementos culturais que ainda oprimem as mulheres, como a associação do feminino à fragilidade ou ao perigo e combater preconceitos e estereótipos. De igual modo, debater o conceito de nazifascismo, suas características e consequências também é crucial para estimular o pensamento crítico e a empatia frente a discursos de ódio que ainda possuem muita repercussão na atualidade.