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Protagonismo Feminino na Mitologia: O Olhar Crítico de Evelyn de Morgan
Bruna Lima Tedesco, Letícia Schneider Ferreira, Ana Alice Pandolfo Salvatti, Paula Vitória Costa Pereira

Última alteração: 08-12-2025

Resumo


A história da arte ocidental foi amplamente marcada por perspectivas masculinas, que durante séculos determinaram não apenas a exclusão das mulheres do espaço artístico, mas também a forma como seriam representadas. Nesse cenário, a obra da pintora britânica Evelyn de Morgan (1855–1919) ganha relevância por propor uma ruptura crítica à tradição, ao retratar personagens femininas da mitologia grega de maneira mais subjetiva, complexa e distante da objetificação habitual. A justificativa deste estudo reside na necessidade de revisitar as narrativas visuais do passado a partir de um olhar de gênero, valorizando artistas mulheres e ampliando a compreensão sobre a representação feminina na história da arte. O objetivo principal é analisar como a artista constrói, em suas pinturas, representações de personagens mitológicas femininas, em especial Ariadne, Medéia e Helena de Troia, ressaltando aspectos de abandono, resistência e protagonismo. A metodologia adotada envolveu uma revisão bibliográfica sobre gênero, mitologia e história da arte, bem como a leitura das Heroides de Ovídio, em que heroínas expressam sentimentos de dor e abandono. Complementarmente, realizou-se análise iconográfica das obras Ariadne em Naxos (1877/1878), Medéia (1889) e Helena de Troia (1898), com foco na construção simbólica e na linguagem visual empregada por De Morgan. Os resultados indicam que a pintora se distancia da tradição masculina, que reduzia as personagens femininas à passividade ou à função de coadjuvantes. Ao contrário, suas telas destacam a profundidade emocional, a subjetividade e a força interior dessas figuras, evidenciando narrativas de dor, luta e resiliência. De Morgan, assim, transforma personagens mitológicas antes silenciadas em protagonistas de suas próprias trajetórias. Como considerações finais, conclui-se que a obra da artista britânica contribui para uma ressignificação da mitologia clássica sob uma perspectiva de gênero, promovendo maior representatividade e diversidade no campo artístico. Além de reforçar a importância da visibilidade das mulheres na arte, o estudo evidencia que revisitar essas narrativas é um gesto crítico e político, que colabora para a construção de uma história da arte mais inclusiva, plural e justa.



Palavras-chave


Mitologia; Gênero; Protagonismo feminino.

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