Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

Tamanho da fonte: 
Mulheres conservadoras nos quadrinhos sobre as ditaduras civil-militares nos países do Cone Sul: olhares sobre o feminino
Mikaela Flain Nardi, Letícia Schneider Ferreira, Letícia Facchinelli Ferret

Última alteração: 08-12-2025

Resumo


Durante as ditaduras civis-militares que ocorreram no Cone Sul na década de 1970, muitas mulheres conservadoras desempenharam papéis significativos no apoio e na legitimação das práticas autoritárias que sustentaram esses regimes. Este estudo visou analisar como algumas dessas figuras femininas são retratadas em duas histórias em quadrinhos (HQs): "A Herança do Coronel" (2009) e "Os Fantasmas de Pinochet" (2011). Este gênero textual é uma fonte bastante interessante para explorar temas históricos, uma vez que ao combinar elementos visuais e textuais pode facilitar o entendimento por parte dos mais diversos  públicos. Essa HQs, que retratam a ditadura argentina  e chilena respectivamente, foram escolhidas por abordarem  as dinâmicas sociais da época, incluindo temas como terrorismo, violência de estado e consequencias dos regimes ditatoriais, temas de extrema relavância. A metodologia utilizada incluiu uma revisão bibliográfica abrangente sobre memória histórica, ditaduras, terrorismo de Estado e relações de gênero, além de uma análise detalhada das obras. O exame das fontes envolveu o fichamento das cenas em que essas personagens femininas aparecem, com foco em suas falas e nos elementos visuais que as cercam. Em “A Herança do Coronel”, a figura da mãe do protagonista Élvio se destaca por defender e justificar os atos cometidos pelo o regime autoritário, apoiando as ações violentas de seu marido, um agente da repressão, e culpando os opositores pela violência, até o ponto em que as consequências atingem seu próprio filho. Já em “Os Fantasmas de Pinochet”, tanto a mãe quanto a esposa do ditador aparecem como figuras centrais que sustentam e até incentivam os atos e falas extremos de Pinochet em relação aos opositores do regime, mostrando como estas foram importantes para a implantação do regime, mesmo que sua influência ocorra nos bastidores do poder. Os resultados das análises mostram que as histórias em quadrinhos retratam as mulheres conservadoras como agentes cruciais na preservação de valores tradicionais e na promoção de discursos anticomunistas, ocupando espaços simbólicos que naturalizam o autoritarismo e a violência de Estado. Essa compreensão é vital para a construção de uma política de memória que vise prevenir o ressurgimento de novos regimes ditatoriais, ressaltando a importância de reconhecer o papel ativo das mulheres conservadoras na história.



Palavras-chave


Mulheres Conservadoras; Histórias em quadrinhos; Ditaduras civil-militares.

Texto completo: PDF