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Etnomatemática: onde diferentes regiões e culturas desenvolvem seus próprios métodos
Lais Primieri, Vanderléia Girardi, Fernanda Zorzi

Última alteração: 31-10-2017

Resumo


Após uma crise da matemática moderna, que havia como princípios os fundamentos da teoria dos conjuntos e da álgebra no ensino e a aprendizagem da matemática, surge então em meados de 1970 o temo etnomatemática, visto pela primeira vez em 1985 em um livro do Professor Doutor Ubiratan D´Ambrosio, onde trata dessa tendência como um programa de pesquisa em história e filosofia da matemática com implicações pedagógicas, o termo citado representa a escrita matemática particular de um grupo social e cultural. A proposta é desvincular um currículo comum, apresentando a matemática a partir de múltiplas visões, deixando de caracterizá-la como um conhecimento universal com verdades incondicionais e indiscutíveis. O Brasil destacou-se pelo potencial da etnomatemática na educação pelo saber e o fazer matemático de várias culturas, abordado nas dimensões etnográfica, histórica e epistemológica. O trabalho tem como objetivo fazer uma breve exposição das principais ideias em etnomatemática que surgiram ao longo da história nas diferentes culturas ressaltando seu caráter transdisciplinar, assim como na valorização e manutenção de tradições culturais. Faz uso de diversos meios de que as culturas se empregam para encontrar explicações para a sua realidade e vencer as dificuldades que surgem no seu dia a dia. Os povos incas, egípcios, maias, celtas, inuítes, papuas, pigmeus, indianos, chineses e japoneses inventaram sua própria maneira de contar e medir. As estratégias de organização e de quantificação como os sistemas de numeração diferenciaram-se tanto que os índios mundurucus nos mostram que não é necessário saber contar além de cinco para viver em harmonia com o ambiente. Existem muitas maneiras de trabalhar com o conceito matemático, sendo que cada grupo social possui uma maneira de construí-lo. Conceitos matemáticos como esses que surgem em contextos naturais e específicos são objeto de estudo dos etnomatemáticos. Valorizando as diferenças desses grupos, essa tendência da Educação matemática afirma que toda construção do conhecimento matemático está vinculada à tradição, à sociedade e à cultura de cada povo. Para os críticos acreditam que a tendência é apenas uma variante do politicamente correto levado longe demais, dizemos que a matemática, é a arma dos sistemas políticos e ideológicos de pensamento. Além do estudo bibliográfico da História da Matemática, faremos uso da etnografia estudo descritivo das diversas etnias, de suas características antropológicas, sociais. Considerando o andamento da pesquisa, buscar-se-á trazer as contribuições da etnomatemática no ensino de matemática na educação básica e superior, para a continuidade da pesquisa, trazer contribuições específicas nos conteúdos de matemática praticados nesses níveis de ensino. A matemática como pertence a todas as classes e contextos culturais, acaba se tornando a marca da civilização humana em sua pluralidade.


Palavras-chave


Etnomatemática; Etnias; Métodos próprios; Culturas

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