Portal de Eventos do IFRS, SICIT (2017)

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Sensores remotos para detecção de alterações espectrais em videiras com sintomas de doenças de causa fúngica e viral
Cristian Scalvi Lampugnani, Marcus André Kurtz Almança, Jorge Ricardo Ducati, Amanda Heemann Junges

Última alteração: 30-10-2017

Resumo


Na Serra Gaúcha, um entrave para produção de uvas de qualidade são doenças relacionadas ao declínio precoce de vinhedos, causadas por complexo multipatogênico associado a fungos e vírus. Plantas com sintomas das doenças, modificações no processo fotossintético ou estruturas celulares, alteram interação da vegetação com a energia eletromagnética e assinatura espectral de folhas ou dosséis. Na viticultura de precisão, sensores remotos surgem como importante fonte de informações da variabilidade entre plantas. O objetivo foi avaliar dois sensores remotos, na discriminação de videiras com sintomas de doenças de causa fúngica e viral associadas ao declínio. O estudo foi realizado em vinhedo de ‘Merlot’, em Veranópolis/RS. Tratamentos consistiram em 10 plantas assintomáticas (AS), 10 sintomáticas para doenças fúngicas (Complexo Esca, CE) e 6 sintomáticas para virose enrolamento foliar (VEF). Foram avaliados dois sensores. Greenseeker, sensor remoto ativo, utilizado a campo para caracterização espectral do dossel através do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), o qual relaciona dois comprimentos de onda associados à biomassa verde. Foram obtidos valores médios mensais de NDVI de setembro de 2016 a junho de 2017. Espectroradiômetro, empregado para caracterização espectral das videiras em comprimentos de onda de largura nanométrica (de 350 a 2500 nm). Foram analisadas em laboratório 10 folhas representativas dos tratamentos, coletadas em fevereiro e maio de 2017. Os resultados indicaram que, independente do tratamento, a evolução temporal do NDVI refletiu o acúmulo de biomassa verde: início do ciclo, médias de NDVI variaram entre 0,58 (CE) e 0,63(AS). Valores de NDVI aumentaram até o máximo na segunda quinzena de novembro (0,83 para AS e 0,82 para CE e VEF), refletindo expansão foliar e fechamento do dossel. Em dezembro, NDVI diminuiu (0,77 para AS, 0,75 para VEF e 0,76 para CE) refletindo a poda verde. Valores permaneceram estáveis até segunda quinzena de abril de 2017, para CE, foram ligeiramente inferiores (0,75) aos demais (0,78 para AS e VEF). Entre tratamentos, apenas no final do ciclo foram verificadas diferenças nos valores de NDVI: desfolha e o aumento da presença de folhas amareladas/alaranjadas no dossel vegetativo de CE diminuíram NDVI (0,63 em maio e 0,38 em junho), comparativamente ao verificado em VEF (0,71 e 0,53) ou AS (0,67 e 0,29). Perfis obtidos com espectroradiômetro indicaram que, ambas as datas, folhas AS possuem curva espectral típica de vegetação verde. Folhas de CE apresentaram, aumento dos valores de reflectância no verde e no vermelho, o que pode ser associado à redução da absorção da energia eletromagnética pelas clorofilas. Folhas VEF, houve redução dos valores de reflectância na luz visível, apenas em maio, quando sintomas estavam bem caracterizados (folhas vermelho-violáceas e enrolamento dos bordos para baixo). Em função do NDVI estar relacionado à biomassa de todo dossel, não houve distinção dos tratamentos. O detalhamento espectral via espectroradiometria de folhas, possibilitou discriminar doenças analisadas e compreender dados obtidos com Greenseeker. Os resultados mostraram que é necessário caracterizar relação entre os dados obtidos por sensores remotos e parâmetros biofísicos da vegetação para ampliação do emprego do sensoriamento remoto na viticultura de precisão.


Palavras-chave


Doenças de tronco; Vitis vinífera; Field spec

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