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Caracterização morfológica de fungos causadores de doenças de tronco da videira
Danton Magri, Cíntia Nietske Soares de Deus, Marcus André Kurtz Almança

Última alteração: 30-10-2017

Resumo


As doenças de tronco da videira (DTV’s) vêm causando prejuízos enormes à viticultura mundial. Elas ocasionam grandes perdas econômicas aos países vitivinícolas devido ao declínio e morte de plantas. As DTV’s abrangem o declínio de Eutypa ou eutipiose (Eutypa spp.), doença de Petri (Phaeomoniella chlamydospora e Phaeoacremonium spp.), doença de Esca (P. chlamydospora, Phaeoacremonium spp., Fomitiporia mediterranea e F. australiensis), podridão descendente (fungos da família Botryosphaeriaceae), declínio de Phomopsis (Phomopsis viticola) e pé preto (Cylindrocarpon spp., Campylocarpon spp. e Ilyonectria spp.). Essas patologias são alvo de linhas de pesquisas do mundo todo, entretanto são pouco pesquisadas no Brasil. Por ser uma pesquisa classificada como básica, o projeto visa a caracterização morfológica de fungos causadores de doença de tronco em videiras de todo o Brasil. O material isolado é oriundo de vinhedos observados com sintomas de doenças de tronco, foi levado ao laboratório, desinfectado e inoculado em placas de petri contendo meio batata-dextrose-ágar (BDA) + terramicina 500 µL.L-1. As colônias foram separadas em placas individuais levando em consideração aspectos morfológicos e os sintomas internos foram registrados em fotografia, armazenados em um banco de dados contendo diferentes sintomas para que se possa correlaciona-los com os fitopatógenos isolados. Ao se obter placas com apenas um patógeno, esse foi armazenado na Micoteca segundo a metodologia de Castellani, na qual colônias puras do fungo são colocadas em um microtubo (2 mL) contendo água destilada esterilizada (1,5 mL), sendo posteriormente selado e armazenado em refrigerador. Esses fungos foram separados e catalogados levando em consideração sua morfologia. Foram avaliados aspectos da colônia, tais como densidade, margem de crescimento, zonação, textura, tamanho, transparência e cor, bem como aspectos dos esporos: tamanho relativo, curvatura, transparência, septação e forma. Esses dados foram cruzados com manuais publicados por instituições de pesquisa e por bancos de fotos disponíveis online. Grande parte dos fitopatógenos presente na Micoteca é formada pelos gêneros Phaeomoniella e fungos da família Botryosphaeriaceae. O primeiro apresenta colônia pequena e cinza-esverdeada, com micélio aderido ao meio e textura rugosa. Seus esporos são pequenos e em formato de bastonetes. Em relação ao segundo, sua colônia é escura, grande e com micélio aéreo e seus esporos são em formato ovalado. Está sendo iniciada a medição dos esporos com auxílio de escala no microscópio, esse dado será posteriormente incorporado no banco de dados da coleção. Visto que os fungos pertencentes aos gêneros Botryosphaeria e Neofusicoccum não produzem esporos em meio de cultura, é necessária sua inoculação em planta. Esse procedimento será realizado também para avaliar a patogenicidade desse agente em mudas de videira. Concomitantemente a esse teste serão realizados experimentos para testar diferentes meios de cultura e temperaturas de incubação para os patógenos, a fim de avaliar qual proporciona a maior velocidade de crescimento. Conhecer a diversidade dos agentes etiológicos que causam as DTV’s é essencial para o desenvolvimento de metodologias de controle, possibilitando diminuir a incidência dessas doenças, diminuindo as perdas da vitivinicultura.


Palavras-chave


Esca; Podridão descendente; Viticultura

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