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Observatório de neologismos da língua portuguesa: o caso dos textos da área da saúde
Bruna Zanetti Cipriani, Kleber Eckert

Última alteração: 30-10-2017

Resumo


O tema do presente trabalho é a formação de neologismos na língua portuguesa. Trata-se de uma área da lexicologia cujo foco é observar como e em que dimensão surgem novas palavras na língua portuguesa. Esses neologismos podem ser classificados como lexicais, semânticos, ou ambos os casos. Pode-se entender neologia lexical como o surgimento de palavras novas em sua forma escrita, e neologia semântica como o surgimento de novas relações significado-significante de palavras já existentes no léxico da língua. Os neologismos lexicais e semânticos apresentam as duas novidades anteriormente descritas. Quanto à justificativa, o tema do trabalho tem relevância porque a formação dos neologismos indica que a língua é como um organismo vivo, que vai criando novas palavras à medida que os falantes precisam delas. Além disso, reforça-se o ineditismo do projeto, sobretudo quanto ao público nele envolvido, isto é, alunos de ensino médio técnico. O objetivo principal é analisar a formação de neologismos, e a frequência destes na mídia de uso corrente, em textos da área médica. Para atingir o objetivo proposto, em primeiro lugar, foram feitas leituras teóricas sobre os estudos do léxico e sobre a neologia na língua portuguesa. Foram pesquisados também estudos que relatam a experiência com a criação e o desenvolvimento de outros observatórios de neologismos em outras instituições de ensino. Os textos de fundamentação teórica foram lidos atentamente, fazendo-se anotações individuais e debatendo-se alguns conceitos em grupo. O corpus de extração foi constituído por textos disponibilizados no site da Revista Época, na coluna do doutor Jairo Bouer, no período de janeiro de 2016 até julho de 2017. Os textos abrangidos no período citado foram analisados, tendo como critério básico o sentimento de novidade no momento da leitura. Os candidatos a neologismos encontrados eram colocados em planilhas que apresentavam o candidato na sua forma básica, o contexto onde foi encontrado, a definição no contexto, a fonte de onde foi retirado, e ainda, o corpus de exclusão, isto é, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (apesar de não ser dicionário) e os dicionários Aurélio, Houaiss e Aulete Digital. Desse modo, foi possível a classificação dos candidatos em neologismos e não neologismos, ou seja, palavras que já estão dicionarizadas contendo a mesma definição dada no contexto. Os neologismos de fato receberam uma segunda classificação: lexicais ou semânticos. Dos catorze candidatos a neologismos encontrados, oito classificaram-se como lexicais, um classificou-se como semântico, e cinco já estavam dicionarizados. Percebe-se assim, a importância da análise e a atualização da língua portuguesa, uma vez que ela reflete a cultura de uma sociedade. Relacionando a língua com a cultura, a primeira se torna um fato social, podendo ser influenciada pelos próprios falantes e seus comportamentos.


Palavras-chave


Neologismos; Língua portuguesa; Saúde; Revista Época

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