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O processo de aquisição da linguagem na Educação Infantil: dificuldades de articulação e os processos fonológicos
Priscila Ogliari Mariani, Robert Melo Rodrigues, Kleber Eckert

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


O processo de alfabetização é um dos processos mais importantes da infância, uma vez que o domínio da norma escrita padrão, assim como das variantes de maior prestígio da fala, vão determinar a inserção e aceitação do sujeito em determinados espaços e contextos comunicativos. Acredita-se que, para uma criança com pleno desenvolvimento psicológico, a alfabetização esteja completa até o oitavo ano de vida. Entretanto, é notório que, durante a fala, as crianças emitem sons trocados ao encontrarem dificuldades na articulação de alguns fones, o que pode ecoar no processo de alfabetização, uma vez que a criança tende a fazer relações entre grafema-fonema, ou seja, escrever da forma que fala ou ouve, gerando desvios básicos de escrita. As emissões de sons trocados perante uma dificuldade articulatória são consideradas processos fonológicos. A partir desse pressuposto, o presente trabalho vislumbra evidenciar as principais dificuldades encontradas pelas crianças para produzir os sons da fala durante a Educação Infantil, isto é, antes de iniciarem a alfabetização, observando os processos fonológicos realizados e os possíveis motivos que as levam a realizá-los. Conhecer os processos fonológicos, bem como a faixa etária em que se manifestam, se mostra importante, em especial para os profissionais da educação, pois possibilita a identificação dos padrões de desvio a fim de reconhecer se há alguma disfunção na fala da criança e a necessidade de acompanhamento fonoaudiológico. Além de tornar possível uma intervenção, caso se mostre necessária, conhecer o processo de aquisição da linguagem é benéfico no sentido de entender os desvios como tentativas de eliminar uma dificuldade e estabelecer uma comunicação eficiente e não simplesmente como erros que devem ser coibidos e corrigidos. Diversos estudos da área da Fonética e da Fonologia foram usados como aporte teórico e, para investigar essas questões, foram observadas aulas ministradas no Centro de Convivência Infantil de Bento Gonçalves, para crianças de 3 até 5 anos de idade, e feita a análise dos principais processos fonológicos, como trocas de segmentos dentro do vocábulo, acréscimos e supressões de segmentos/fones ou sílabas, e substituições como palatalizações e assimilações. Além disso, também foi observada a influência da variação dialetal, pois o modo como cada região se expressa através da fala influencia o modo como a criança desenvolve a sua perspectiva para oralizar e, posteriormente, escrever. Isso se mostra relevante na região onde a pesquisa foi realizada, marcada pela colonização italiana e alemã, e é notório na realização dos róticos. Através da pesquisa, evidenciamos que os processos fonológicos estão presentes em todas as idades observadas, embora ocorram com maior frequência nas crianças mais jovens, que ainda estão adquirindo os fonemas e fones da língua e aprendendo a distingui-los, além de ainda estarem desenvolvendo seu aparelho fonador. Também se observou que os processos que se manifestaram nas crianças de 5 anos - que já concluíram o processo de aquisição da linguagem - são os que tendem a se manter até a vida adulta.



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