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Interferência da segunda língua na escrita de alunos do Ensino Fundamental
Karina Aparecida Oliveira da Silveira, Aiane Milene Canossa, Dyessika Duarte Cortes, Kleber Eckert

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


O evento da imigração italiana marcou profundamente a região da Serra Gaúcha ao longo da sua história. Os descendentes dos imigrantes carregam consigo traços dessa identidade, que podem ser observados, entre outros pontos, na fala, no vocabulário e no sotaque. Sabe-se que a fala interfere no aprendizado da escrita e, por isso, o presente trabalho visa investigar se esses traços interferem na aprendizagem e na ortografia dos alunos de sexto e sétimo ano do Ensino Fundamental, moradores da região da Serra Gaúcha. Levar em conta a interferência de uma segunda língua e, se ela de fato ocorre nos processos de aprendizagem dos alunos, é fundamental para que os discentes tenham ciência dos motivos das suas dificuldades. A pesquisa foi realizada em duas escolas na cidade de Bento Gonçalves e em uma escola na cidade de Monte Belo do Sul. Aconteceu por meio de entrevista com professores atuantes na área de Língua Portuguesa e análise de textos dos alunos de sexto e sétimo ano. Foram analisados quarenta e um textos e entrevistados quatro professores. Quanto às principais dificuldades ortográficas que os alunos apresentam, constatou-se que há grandes ocorrências de trocas de consoantes e vogais que se assemelham fonologicamente. Ainda, houve troca de ÃO por AM e vice-versa. Nos escritos dos alunos foram encontrados fenômenos como: hipercorreção, monotongação e apagamento de consoante. Essas ocorrências são tendência na fala, mas também se refletem na escrita. Houve um processo fonológico por acréscimo e ditongação. Observaram-se ainda os processos de palatalização, alçamento e vocábulo fonológico. Nos materiais analisados, deparou-se com a palavra aeroporto escrita como aero porto. Ainda ocorreu de o sintagma nominal a gente ser escrito como agente. Percebe-se então que há uma insegurança na hora de escrever, pois o falante transfere para a escrita o modo como ele pronuncia as palavras. Por fim, registrou-se uma questão bastante relevante, que é em relação ao uso do R, pois em um texto a palavra amarelo apareceu escrita como amarrelo [ama’rɛlo], ou seja, usou-se a vibrante múltipla [r] no lugar da vibrante simples [ɾ]; e ocorreu de a palavra carro estar escrita como caro [‘kaɾo], nesse caso, usou-se a vibrante simples [ɾ] no lugar da vibrante múltipla [r], o que é típico acontecer nos dialetos da Língua Italiana. Essas trocas na fala fazem com que o contato com as regras ortográficas da Língua Portuguesa cause confusões e trocas na hora da escrita. Diante das conclusões de pesquisa de campo, foi notória a presença de erros nos textos dos alunos de sexto e sétimo ano. Em ambas as cidades, os equívocos acontecem, e segundo os professores, estão relacionados à falta de revisão e de atenção, entre outros fatores. Conclui-se que os erros ortográficos ocorridos nos textos do corpus são praticamente os mesmos que se verificam na escrita de alunos que não estão expostos a uma segunda língua.



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