Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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Língua Portuguesa como passaporte para a cidadania: aspectos socioculturais e linguísticos dos participantes do Curso de Extensão para imigrantes e refugiados do IFRS-Campus Bento Gonçalves
Júlia Sonaglio Pedrassani, Leandro Rocha Vieira, Carina Fior Postingher Balzan

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


Desde 2010, o Brasil vem recebendo imigrantes e refugiados de diferentes nacionalidades que, por motivos diversos, precisam deixar seu país de origem em busca de melhores condições de vida. Dentro do Rio Grande do Sul, a Serra Gaúcha é a região que mais tem recebido esses imigrantes, principalmente haitianos e senegaleses. Uma das primeiras necessidades dos imigrantes no novo país é saber o idioma local a fim de se comunicarem para procurar emprego, ter acesso a serviços públicos, como saúde e educação e, assim, progressivamente inserir-se nas comunidades locais e reconstruir sua identidade. Contudo, no Brasil, verifica-se que as ações de promoção do ensino de língua portuguesa para imigrantes e refugiados ainda carecem de maior incentivo governamental para que possam de fato se consolidar como uma política pública. Além disso, existem poucos estudos científicos voltados ao ensino de língua portuguesa para imigrantes e refugiados, como também há escassez de material didático, metodologias de ensino apropriadas e formação de docentes voltada a esse público específico, o que justifica o presente estudo. A pesquisa vincula-se ao Curso de Extensão Língua Portuguesa para imigrantes e refugiados realizado no IFRS-Campus Bento Gonçalves, que atualmente oferta o nível básico, dividido em dois módulos. A perspectiva teórica que norteia o ensino da língua portuguesa no referido Curso é a de língua de acolhimento, que abrange, para além de conhecimentos linguísticos, uma imersão na cultura local de modo que o imigrante passe a ser atuante na sociedade. O objetivo da pesquisa é investigar o perfil sociocultural e linguístico dos participantes do Curso de Extensão, verificando, ainda, se o aprendizado da língua portuguesa tem auxiliado na comunicação dos imigrantes, ajudando-os no processo de integração social. A pesquisa, quantitativa e qualitativa, de caráter exploratório, tem como metodologia um estudo de caso com uma turma do nível básico Módulo II, constituída por dezenove imigrantes haitianos. Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica acerca do histórico da imigração haitiana no Brasil e no Rio Grande do Sul e de conceitos teóricos que tratam do ensino de língua portuguesa como língua de acolhimento. Em seguida, aplicou-se um questionário com questões fechadas e abertas aos estudantes a fim de traçar-lhes o perfil socioeconômico e cultural, no que diz respeito a aspectos como constituição familiar, escolaridade, trabalho e renda, religião, motivos que os levaram a emigrar, além de verificar se o aprendizado do idioma contribuiu para o processo de socialização. Os primeiros resultados mostram que a faixa etária preponderante é de 25 a 30 anos, sendo a maioria do sexo masculino, com níveis de escolaridade diversas; 80% deles possuem algum trabalho remunerado e a religião constitui o principal fator de agregação social entre os imigrantes. Os motivos que os levaram a emigrar foram as oportunidades de trabalho no Brasil, acesso aos serviços públicos de saúde e educação e a segurança. Além disso, o aprendizado da língua portuguesa mostra-se de grande relevância para os sujeitos da pesquisa, pois está auxiliando no processo de integração na comunidade, proporcionando melhor comunicação e interação com falantes nativos.



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