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Uma aproximação entre Psicologia e Literatura em Crime e Castigo: a construção das facetas de Ródion Raskólnikov
Esther de Paula Guedes, Maiquel Röhrig

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


O trabalho analisa a obra Crime e Castigo, escrita por Fiódor Dostoiévski, de acordo com uma visão interdisciplinar que aproxima Literatura e Psicologia. A abordagem condiz com os pressupostos da Literatura Comparada, vertente das pesquisas literárias que opera com a análise de obras literárias, confrontando-as com outras obras ou, como no caso deste trabalho, com conteúdos de outras disciplinas. O trabalho justifica-se porque Crime e Castigo é um clássico da literatura universal, o que, segundo Ítalo Calvino, no livro “Por que ler os clássicos”, significa dizer que se trata de um texto que “nunca termina de dizer”, que sempre gera novos significados, tendo seus sentidos atualizados por todas as gerações de leitores. Nesse ínterim, o presente trabalho é uma tentativa de acrescentar significados e compartilhar uma análise da obra com outros leitores ou possíveis leitores do referido clássico. O objetivo do trabalho é analisar os recursos de linguagem utilizados pelo narrador para construir as personagens, além de descrever e de apresentar os efeitos que esses recursos geram no leitor. A metodologia consistiu na leitura atenta do livro, identificação de suas relações interdisciplinares com a psicologia, o que foi alcançado pela leitura de artigos científicos da área. A relação entre literatura e psicologia se verificou sobretudo nas personagens Rodion Románovitch Raskólnikov, Sônia Semiónovna Marmieládova, Porfiri Pietróvitch e Arkadi Ivánovitch Svidrigáilov. Para refinar a análise, escolheram-se as cenas da segunda parte do romance, em que Raskólnikov passa a apresentar delírios e alucinações. Da mesma forma, foram selecionados diálogos que ajudam a entender a psicologia do protagonista, o que resulta na construção de sua personalidade. Além disso, leu-se o livro “Por que ler os clássicos”, de Ítalo Calvino, e capítulos e artigos científicos que analisam a obra, tais como “Crime e castigo: as técnicas do narrador onisciente (excertos)”, de Gary Rosenshield. Como resultados, pode-se destacar que a construção das personagens ocorre por meio de diálogos, da relação das personagens com o ambiente em que se situam, divergindo de autores românticos que apresentam os personagens de forma direta através de adjetivos enumerados pelo narrador. Percebeu-se ainda que a linguagem das personagens difere da linguagem do narrador, ou seja, cada uma delas possui uma voz própria. Ficou evidente que a personalidade de Raskólnikov possui diversas facetas, e o narrador as revela de modo que o leitor se identifique com a personagem e, ao longo da narrativa, adentre no inconsciente de Raskólnikov, numa clara relação entre a literatura e a psicologia.



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