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Diversidade Religiosa: visões de jovens brasileiros sobre a mudança no perfil religioso brasileiro e a intolerância para com religiões pouco conhecidas.
Sofia Zancanaro Habeck, Douglas Souza Angeli

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


Esta pesquisa científica tem como foco a diversidade religiosa, uma temática que merece destaque, principalmente em um país diversificado como o Brasil. O primeiro objetivo da pesquisa é identificar, na visão de jovens brasileiros, o motivo pelos quais religiões pouco faladas e conhecidas são vistas negativamente e, muitas vezes, acabam por virar vítimas da intolerância religiosa. Religiões como a wicca, o xintoísmo e o candomblé muitas vezes, devido a desinformação, viram alvos da intolerância. Pesquisas da BBC Brasil mostram que religiões de matrizes africanas são as vítimas de mais de 70% dos casos de intolerância religiosa. Casos como o de Kaylane Campos, de apenas 11 anos, noticiado pelo G1 em 2015, morta com uma pedrada na cabeça apenas por estar vestida com trajes candomblecistas são provas de como a intolerância contra religiões pouco conhecidas no Brasil deve ser discutida. Em um país como o Brasil, a busca pelo respeito mútuo entre as diferentes crenças de cada pessoa é cada vez maior. Buscando compreender a diversidade religiosa e os diferentes ritos existentes chegamos mais perto de acabar com o grande preconceito existente na sociedade atual. O perfil religioso dos brasileiros é um fato a ser observado. Entre 1970 e 2000 o percentual da população católica no Brasil decaiu de 91,8% para 73,9%. Segundo pesquisas, até 2022 a população católica no Brasil pode ser menos de 50%. O trabalho foi desenvolvido visando recolher as opiniões de jovens brasileiros (pessoas entre 15 e 29 anos) de diferentes regiões do país. Com isso em mente, um formulário foi criado, para alcançar um número maior de pessoas. Este formulário foi divulgado em redes sociais, como o Twitter e WhatsApp, atingindo pessoas de diferentes regiões. A pesquisa ainda não foi concluída e os resultados apresentados aqui são preliminares. 37,5% das 56 pessoas que responderam o questionário não possuem uma crença. Apesar da grande maioria católica, o número de pessoas autodeclaradas agnósticas (12,5%), umbandistas (2,7%), wiccas (3,5%), foi considerável. Pessoas relataram casos de intolerância religiosa que sofreram ou presenciaram. Membros da wicca relatam que a falta de conhecimento de muitas pessoas para com esta crença leva os mesmos a acreditarem que ela está ligada a coisas ruins ou "maldições". 48,8% dos jovens responderam que possuem crenças diferentes de seus pais. 27,7% das pessoas apontaram como o motivo da mudança do pensamento religioso dos brasileiros o maior acesso à informação que possuímos hoje. Também foi citado por 19,6% a mente mais libertária dos jovens atualmente. 51,8% não conheciam a religião wicca. 7,1% ligaram ela a palavras como "macumba". Foi observado também o pouco conhecimento dos jovens sobre as religiões de matrizes africanas, mostrando uma certa intolerância em seus comentários. Na sequência da pesquisa isso será observado de forma quantitativa e também qualitativa. Dados como estes mostram como o perfil religioso dos brasileiros vem mudando constantemente e como a falta de conhecimento para com certas religiões podem acabar levando as pessoas a pensamentos precipitados e a intolerância.



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