Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade do IFRS campus Bento Gonçalves: protagonismo e resistência estudantil
Robert Reiziger de Melo Rodrigues Rodrigues, Leticia Schneider Ferreira

Última alteração: 11-02-2020

Resumo


O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade do IFRS campus Bento Gonçalves apresenta-se como um local de escuta e de exercício da democracia, fundamental em tempos de intolerância e nos quais discursos que pautam a violência contra mulheres e grupos LGBT se tornam frequentes. A história de constituição do referido Núcleo no campus Bento Gonçalves do IFRS demonstra o protagonismo estudantil no combate ao preconceito no espaço escolar. As demandas dos discentes por um local de debate e de articulação de ações para a promoção de paz na escola possibilitaram a criação do NEPGS em 2015. O presente estudo propõe o acompanhamento da construção e das ações do NEPGS no campus Bento Gonçalves, realizando uma reflexão sobre a importância deste espaço no ambiente escolar, avaliando as ações propostas e seus impactos na comunidade acadêmica. Ressaltamos que conhecer o espaço, a história e as ações do Núcleo possibilitam maior repercussão de suas atividades e, dessa forma, maior participação da comunidade interna e externa. O NEPGS promove uma série de atividades em prol do respeito pelo outro, propiciando um espaço democrático e de exercício de alteridade, valendo-se de ações como cine-debates, produção de cartazes, palestras, apresentações musicais, entre outros. O conhecimento sobre essa temática mostra-se pertinente, principalmente porque há uma série de informações equivocadas sobre esses tópicos veiculadas por diferentes mídias e o crescimento de discursos de violência e ódio vêm se intensificando, principalmente pelas redes sociais. O NEPGS está em constante evolução no sentido de buscar agregar novos membros e divulgar sua produção, por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão. Assim, conhecer a história da implantação do NEPGS no campus Bento Gonçalves e suas ações permite disseminar uma cultura de paz e novas ações que estimulem o respeito e o combate ao preconceito no ambiente escolar. Partimos do pressuposto de que gênero é uma construção social e, portanto, não é inata aos indivíduos e tampouco resultado da natureza humana, conforme estudos da filósofa Joan Scott. A partir dessa teorização, nossa metodologia consistiu em entrevistar os discentes e docentes que participaram ativamente da construção do NEPGS, estando presentes na primeira Portaria de Criação oficializada pelo IFRS. Através da pesquisa, constatamos que o NEPGS do campus Bento Gonçalves foi constituído pelo protagonismo estudantil e se mantém ativo pela mobilização dos discentes comprometidos em lutar por um mundo no qual a aplicação dos direitos humanos seja uma regra. Práticas como o assédio, a violência de gênero e outras formas de preconceito e discriminação ainda são frequentes no ambiente escolar, o que torna a discussão sobre essas questões essenciais para detectar e prevenir agressões. O NEPGS está na vanguarda desses debates, ainda mais em uma conjuntura em que são perceptíveis as diversas informações equivocadas sobre as questões de gênero, como afirmações falaciosas que apontam gênero como uma ideologia. Debater gênero é adotar uma postura de respeito aos direitos humanos, lutar pela efetiva inclusão de todos e todas, tornando o ambiente escolar mais pacífico e humano.



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