Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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Maternidade Compulsória
Julia Dallé, Aline Hentz

Última alteração: 06-02-2020

Resumo


A maternidade compulsória parte do pressuposto de uma sociedade onde mulheres são influenciadas externamente à maternidade, até que essa influência se internalize, sendo naturalizada. O trabalho realizado propõe identificar essas influências, buscar suas origens, problematizar e identificar suas consequências na sociedade atual. Possui também o objetivo de entender como ocorre a naturalização da maternidade na educação e criação de meninas cisgênero e quais suas consequências em adolescentes do sexo feminino. Julia Gama Tourinho (2006) diz que diversas mulheres se culpam por não agir ou sentir da forma valorizada pela sociedade, tendo presente normas que são internalizadas de forma inconsciente e que se reproduzem através de gerações, essas normas acabam por integrar a subjetividade feminina e modelar papéis. Segundo Tourinho, essas mulheres são, muitas vezes, desvalorizadas, normalmente por uma visão social de julgamento gerada através destas mesmas influências as quais seguem ou reproduzem, muitas vezes inconscientemente. Esse olhar é extremamente comum, já que muitas vezes é difundido que uma das funções da mulher seja considerada procriar. A autora levanta a discussão do papel de gênero dentro da reprodução humana. Ela foca em como a escolha de ser mãe é imposta a grande parte das mulheres cisgênero, reforçando o papel da mulher na procriação humana. Após a realização de pesquisas bibliográficas, foi elaborado um questionário, formulado por meio do Google Forms, e aplicado a indivíduos de 14 a 18 anos de diferentes partes do país e de diferentes gêneros, mas tendo como público alvo adolescentes cisgênero do sexo feminino. O público alvo na faixa etária de 14 a 18 anos tem relevância para que possa ser analisada a percepção destas adolescentes que entram na vida reprodutiva carregando predefinições sociais que podem ou não influenciá-las sem as próprias terem consciência sobre. Como o esperado, a parte dominante do público que respondeu a pesquisa foi composto por mulheres cisgênero de 14 a 18 anos de idade, predominantemente estudantes do ensino médio e de classe média. Uma pequena parcela das que responderam tinham noção de o que o termo “maternidade compulsória” representava e sabiam explicá-lo, enquanto uma esmagadora maioria respondeu que tinham consciência de que as mulheres eram incentivadas externamente a maternidade desde a infância. A grande maioria das respostas apontavam que já haviam presenciado falas ou comportamentos que notavam como um incentivo à maternidade desde cedo, e quase a totalidade respondeu que já haviam recebido incentivos a serem mães.  Pretende-se ainda, elaborar e realizar entrevistas com três gerações de mulheres de duas famílias diferentes, para que se possa ter uma visão em pequena escala de como essas influências se manifestam conforme a geração e de que maneira elas são passadas. Com esses resultados em mãos, se planeja proceder a análise com a elaboração de gráficos e tabelas que auxiliam na compreensão do tema. Tendo em vista estes aspectos, este estudo é importante para que se possa expandir o horizonte de possibilidades e de realizações atribuídos ao ser feminino ao longo dos séculos, indo além da maternidade.



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