Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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Efeitos do extrato de sementes de uva na toxicidade induzida por glifosato em Caenorhabditis elegans
Gislaine Taís Grzeça, Laura Caroline Pouluk Strozak, Marcus André Kurtz Almança, Roberta Schmatz

Última alteração: 04-02-2020

Resumo


Dentre os ingredientes ativos mais utilizados em agrotóxicos no mundo destaca-se o glifosato. A utilização indiscriminada e o não cumprimento dos períodos de carência deste pesticida estão associados à ocorrência de intoxicações em humanos e a contaminações de rios, solos e alimentos. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi identificar e caracterizar os possíveis danos causados pela exposição ao glifosato sobre parâmetros comportamentais, fisiológicos, e enzimáticos utilizando o modelo alternativo Caenorhabditis elegans (C. elegans). Além disso, pretende-se verificar os efeitos dos extratos de sementes das variedades de uva Pinot Noir, Isabel, Niágara e Touriga na possível reversão ou atenuação das alterações provocadas pelo glifosato. É importante destacar que inúmeros estudos têm comprovado que os polifenóis da uva, tanto em ensaios in vitro quanto em modelos animais, possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e pró-longevidade, demonstrando que esses compostos são promissores na prevenção e atenuação da toxicidade associada ao glifosato. Para realização dos experimentos os C.elegans do tipo selvagem N2 foram obtidos do Caenorhabitis Genetics Center, Minnesota, EUA e estão sendo mantidos em placas de Petri, contendo meio de crescimento para nematoides, a temperatura de 20ºC. Para testar se os tratamentos com os extratos de sementes das variedades de uva aumentam a resistência a possíveis danos causados pelo glifosato, os nematoides foram tratados por 48 horas, do estágio larval L1 até L4, com os extratos e depois expostos a concentrações variadas de glifosato. A partir disso, foram analisados os parâmetros de batimentos faríngeos e os níveis de espécies reativas de oxigênio. Até o presente momento foram realizados o cultivo e a manutenção do C. elegans e iniciou-se a exposição às doses de glifosato e/ou extrato. Também procedeu-se a preparação dos extratos de semente de uva e a quantificação da atividade antioxidante presentes nos extratos das variedades de uva Pinot Noir, Isabel, Niágara e Touriga. A quantificação da atividade antioxidante foi realizada por meio do reagente DPPH (2,2- difenil-1-picril-hidrazil), utilizando-se as concentrações de 50, 100, 200, 300, 400, 500 e 1000 µg/mL de cada um dos extratos. Os dados foram analisados através da ANOVA e, posteriormente, as médias foram submetidas à regressão quadrática (Sigma Plot 11.0). Os resultados demonstraram que houve resposta quadrática significativa em todas as concentrações utilizadas. Para as quatro variedades de uva testadas a maior capacidade antioxidante alcançada foi na concentração de 1000 µg/mL, na qual houve uma redução de 93,83% dos radicais DPPH para o extrato de Pinot Noir, 69,16% para o extrato de Isabel, 93,08% para o extrato de Niágara e  91,60%  de redução dos radicais DPPH para o extrato de Touriga. Com base nesses resultados, a concentração de 1000 µg/mL de extrato foi escolhida para os experimentos com C. elegans, pois se mostrou promissora na redução dos efeitos tóxicos induzidos pelo glifosato. Com o andamento do projeto (duração até fevereiro de 2020), espera-se obter dados que contribuam para o entendimento dos mecanismos envolvidos nos efeitos tóxicos do glifosato e um possível efeito protetor dos extratos de sementes de uva sobre essa toxicidade.


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