Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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Interação entre Daktulosphaira vitifoliae (Fitch, 1854) (Hemiptera: Phylloxeridae) e Ilyonectria macrodydima na cultura da videira
Nicole Machado Spiller, Jamerson Fiorentin, Simone Andzeiewski, Marcos Botton, Marcus André Kurtz Almança, Aline Nondillo

Última alteração: 04-02-2020

Resumo


No Brasil a viticultura tem uma grande importância econômica, principalmente na Serra Gaúcha, devido a grande demanda de produtos produzidos com a uva, como vinhos e sucos. Um dos fatores limitantes da viticultura é o declínio e morte das plantas de videira, no qual, diversas causas estão relacionadas. Dentre as principais causas, destaca-se a Daktulosphaira vitifoliae (filoxera da videira), inseto causador de galhas nas folhas, nodosidades e tuberosidades nas raízes. O ataque do inseto nas raízes, em hipótese, produz aberturas para a infecção de fitopatógenos, podendo aumentar a ocorrência de doenças associadas ao declínio e à morte de plantas. Um dos principais fungos associados ao declínio e morte de plantas de videira são do gênero Ilyonectria spp., entretanto não existem informações sobre a interação existente entre este fungo e a filoxera da videira. O objetivo desse trabalho foi avaliar se há interação entre a Daktulosphaira vitifoliae e o fungo Ilyonectria macrodydima em videira. Para tal, foi realizado um experimento no Laboratório de Fitopatologia do IFRS/Campus Bento Gonçalves, no qual foi utilizado mudas de Cabernet para obtenção de raízes com 10 cm de comprimento. Os tratamentos avaliados foram: (1) testemunha (somente raiz); (2) testemunha (raiz e filoxera); (3) inoculação I. macrodydima aplicado sobre a raiz; (4) inoculação de I. macrodydima aplicado sobre a raiz + filoxera; (5) raiz + ferimento mecânico; (6) inoculação de I. macrodydima aplicado sobre a raiz + ferimento mecânico. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 10 repetições por tratamento. Para o inóculo do fungo, foi realizada a repicagem em placas de petri em meio BDA mantidas em câmaras BOD até o crescimento do fungo. Após o crescimento do fungo, foi feita uma suspensão com concentração 1,0x106 esporos/mL. Desta suspensão foi aplicado 100 µL/raiz utilizando pipetador manual, distribuídos em toda a superfície da raiz. Nos tratamentos com filoxera foram inoculados 10 ovos, com auxílio de um pincel, provenientes de uma criação de laboratório. Após 30 dias, foram avaliadas as variáveis: (1) presença de necrose interna, (verificada com corte transversal das raízes e observação/registro fotográfico no ponto de inoculação) e, (2) percentual de re-isolamento dos fungos inoculados (obtido pelo plaqueamento de fragmentos de tecido interno das raízes das plantas). As placas contendo estes fragmentos foram mantidas por 30 dias em câmara BOD para o crescimento do fungo. Os resultados de re-isolamento dos fungos a partir de raízes demonstram que, nas plantas em que foi realizada a inoculação com I. macrodydima não houve diferença significativa entre as plantas com a presença da filoxera e de dano mecânico, entretanto diferiram significativamente dos tratamentos com a presença apenas do fungo  ou na ausência dele, demonstrando uma possível associação da filoxera como ‘abridora de porta entrada’ para o desenvolvimento do fungo. O projeto está em andamento e estes experimentos serão repetidos em laboratório e posteriormente os tratamentos serão avaliados em condições controladas em casa de vegetação

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