Portal de Eventos do IFRS, MTC - Mostra Técnico-Científica 2019 IFRS - Campus Bento Gonçalves

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Seleção de porta-enxertos de videira resistentes à fungos causadores de doenças de tronco
Jamerson Fiorentin, Aline Nondillo, Cíntia Neitzke de Deus, Nicole Machado, Sabrina Verona Duarte, Marcus André Kurtz Almança

Última alteração: 02-02-2020

Resumo


As doenças causadas por fungos têm grande importância na viticultura brasileira, sendo que nos últimos anos tem ocorrido com maior frequência e importância um complexo de doenças conhecido como doenças de tronco da videira (DTV’s). Tal complexo é de difícil manejo e rápida disseminação, sendo uma medida de controle eficiente à obtenção de plantas resistentes aos fungos causadores de DTV’s. Este estudo teve como objetivo adequar um método para seleção inicial de cultivares de porta-enxertos de videira resistentes à DTV’s. Foram utilizados isolados de fungos, causadores de DTV’s, Phaeomoniella chlamydospora, causador de Esca e doença de Petri, Ilyonectria liriodendri, causador de Pé-preto, Neofusiccocum parvum e Botryosphaeria dothidea, causadores de Podridão descendente. Os inóculos dos fungos foram produzidos em placas de Petri contendo meio BDA (batata-dextrose-ágar). Para os ensaios, foram utilizados genótipos experimentais e comerciais, pertencentes ao banco de germoplasma da Embrapa Uva e Vinho, produzidos em substrato estéril a partir de plantas micropropagadas. Até o momento, foram testados 38 genótipos. Para os testes, foram utilizadas três plantas para cada isolado de fungo, além da testemunha. Para a inoculação, realizou-se ferimentos longitudinais no caule das plantas (0,5 cm). A seguir, foram inoculados fragmentos de meio de cultura BDA de 0,5 cm2, contendo as estruturas dos fungos. A testemunha foi inoculada somente com meio BDA. Após a inoculação, as plantas foram mantidas na casa de vegetação, em bandejas com lâmina de água de 0,5 cm3 por 90 dias. As avaliações foram realizadas após este período, sendo feito o registro fotográfico dos sintomas internos (escurecimento da madeira) e re-isolamento dos fungos (a partir do ponto de inoculação). Com o bisturi foram retirados quatro fragmentos do entorno (até 0,5 cm de distância) do ferimento e colocados em placa contendo BDA. As placas foram mantidas em câmara do tipo B.O.D. com fotoperíodo de 12h e temperatura de 26 ±1ºC. O crescimento dos fungos foi observado por 30 dias. Com relação aos sintomas internos, em todos os genótipos foi observado escurecimento no ponto de inoculação nas testemunhas, e no ponto de inoculação e ao longo do xilema nos demais fungos. Os dados foram analisados por Análise de componentes principais (PCA). O re-isolamento obteve taxas distintas entre os genótipos testados. O genótipo comercial IAC-572 obteve a taxa mais baixa de re-isolamento, seguido pelos genótipos experimentais 548-15, IBCA-125, 1111-21 e 1111-61. O genótipo Paulsen-1103, porta-enxerto mais utilizado na viticultura brasileira, obteve altos índices de re-isolamento, demonstrando características de suscetibilidade. Com os resultados preliminares, o método se comprova eficiente em demonstrar diferentes graus de resistência dos porta-enxertos testados aos fungos causadores de DTV’s e em ser uma ferramenta para seleção/indicação de porta-enxertos em programas de produção de mudas de qualidade superior.


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