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Ácaro em Apis mellifera
Vitória Chesini Malvessi

Última alteração: 04-02-2019

Resumo


A varroose é uma doença causada pela infestação do ácaro Varroa em abelhas Apis mellifera. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados de um levantamento bibliográfico sobre o ácaro Varroa destructor, buscando destacar sua importância dentro dos sistemas produtivos de mel, demonstrar os impactos que pode causar nas colmeias, compreender o comportamento do ácaro Varroa destructor ao longo do ano em apiários, e por fim demonstrar medidas de manejo capazes de influenciar nos índices de infestação pelo parasita. Este ácaro se alimenta da hemolinfa das abelhas, levando a importantes impactos nas colmeias, como perda de peso por desnutrição, redução da longevidade e resistência, com consequente queda na produtividade, além de servir como vetor para uma diversidade de vírus, fungos e bactérias, dentre os quais citam-se vírus da cria ensacada (Sacbrood vírus - SBV), vírus da paralisia aguda das abelhas (Acute bee paralysis virus - ABPV) e nosemose. Taxas moderadas de infestação podem reduzir o crescimento da população de abelhas e, portanto, o rendimento de mel, mesmo sem haver sinais clínicos evidentes. A reprodução dos ácaros está intimamente sincronizada com o desenvolvimento das crias de abelhas, e o sucesso de sua reprodução depende diretamente da postura realizada pela abelha rainha e do tempo de desenvolvimento larval. Para a multiplicação dos ácaros são essenciais a presença de abelhas adultas que irão transportar fêmeas do ácaro até alvéolos com larvas ainda não operculados, e desenvolvimento do ácaro até o quinto estágio larval antes da operculação. Desta forma, os comportamentos higiênicos das abelhas de uma colmeia influenciarão diretamente no número de ácaros, uma vez que a remoção de larvas mortas reduz as chances de multiplicação deste carrapato. O nível tolerável de infestação de Varroa destructor na entressafra é de até 7% em operárias, ou até 14% em crias de operárias, e na safra até 3% em operárias ou até 6% em crias de operárias. Quando a taxa de infestação está acima do índice tolerável, deve-se aplicar produtos orgânicos como: ácido oxálico, timol, cianol, ácido fórmico, mentol, entre outros, mas que podem deixar resíduos no mel ou até mesmo causar efeitos tóxicos para as abelhas. Algumas medidas de prevenção e controle do ácaro que já são recomendadas englobam: trocar anualmente no mínimo 50% dos favos por lâminas de cera alveolada completas; trocar as rainhas todos os anos, de preferência por rainha selecionada com bom comportamento higiênico; colocar as colmeias em local ensolarado no outono/inverno; retirar favos de cria de zangão; e nutrir as abelhas com alimento proteico no outono/inverno/primavera. Conhecer o comportamento reprodutivo do Varroa destructor é essencial para a compreensão da dinâmica populacional do parasita, e de particular importância para a prática da apicultura, sendo considerada a mais efetiva ferramenta para prevenir e controlar o crescimento de uma população do ácaro dentro da colônia.

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