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O processo da comunicação não violenta pelo viés da pesquisa científica
Michele Carraro

Última alteração: 01-02-2019

Resumo


O presente trabalho busca relacionar a construção do processo de Comunicação Não-Violenta (CNV) com as ferramentas usadas na pesquisa acadêmica de caráter qualitativo. Surgida nos Estados Unidos na década de 60, a CNV é aplicada na resolução de conflitos nas mais diversas áreas da vida em sociedade. No Brasil, atualmente, é aporte para a justiça restaurativa e projetos de cultura de paz. Diante do aumento de sua utilização e de certa resistência do meio acadêmico em aceitar a CNV como processo academicamente embasado, se faz necessário explica-lo salientando seu caráter metodológico e científico. O objetivo do trabalho é descrever o processo da CNV pelo viés da pesquisa científica. A CNV é um sistema de linguagem construído com base em observações de dados específicos, respeitando o momento e o contexto de sua aplicação. Sua metodologia, centrada no diálogo, cria espaços de reconstrução, envolvendo diversificados elementos que, se analisados de forma atenta, constituem- se em ferramentas de pesquisa que buscam compreender tanto os fenômenos investigados quanto o próprio pesquisador. A metodologia utilizada neste trabalho foi a revisão de literatura sobre pesquisa qualitativa, realizada no projeto de pesquisa em que a autora é bolsista, e sobre CNV. A ideia é relacionar as ferramentas tradicionais de coleta de dados da pesquisa qualitativas com os quatro componentes usados na CNV. O primeiro elemento, o ato de observar (1), propõe uma observação livre de julgamentos e sem a emissão de ponto de vista, apenas o relato do fato sem modificações ou generalizações. Entende-se como necessário que as observações sejam especificidades do momento vivencial. Nesta análise de conceito, fica claro, a semelhança com a observação utilizada na pesquisa científica. Os passos seguintes são a identificação de sentimentos (2) e o reconhecimento de uma necessidade (3), para ambos, utiliza-se uma entrevista através de um roteiro pré-elaborado ou não, a fim de aclarar pontos subjetivos ou sujeitos à erros de interpretação. A elaboração de um pedido (4) claro entre os sujeitos do diálogo, é a confirmação de finalização de uma etapa, o que nos remete à transcrição de dados coletados. Nesta fase, é preciso que os dados estejam organizados de tal maneira, que possibilite a compreensão de múltiplos aspectos que definirão o êxito de todo o processo. Conclui- se que a relação de proximidade entre os passos do processo da CNV e a pesquisa acadêmica, quando da sua execução rigorosa, é um elemento que chancela sua validade. Os efeitos positivos de sua aplicação podem ser observados, inicialmente, com as mudanças individuais percebidas ao nível das relações interpessoais e podem chegar na esfera institucional ou sistêmica. É necessário que o meio acadêmico incorpore o processo da CNV como válido, na medida que este se baseia em princípios científicos. Isso fará com que o processo da CNV ocorra de maneira mais cíclica e quiçá passe a fazer parte das matrizes curriculares dos cursos de licenciatura e das escolas, instrumentalizando assim, muitas pessoas a dialogarem e construírem ações para uma Cultura de Paz.

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