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Efeito de podas antecipadas sobre as variedades Niágara Rosa e Branca (Vitis labrusca L.)
Angelo Gava

Última alteração: 01-02-2019

Resumo


O cultivo de uvas para processamento tem sido durante muitos anos o principal destino das uvas produzidas na Serra Gaúcha, no entanto, o comércio de uva de mesa vem cada vez mais ganhando espaço dentro das áreas de produção da região. Diferente das uvas com destino a produção de vinho, suco e derivados, as uvas para consumo in natura, requerem mais práticas de manejo e utilização intensiva de mão de obra. Desta forma, novas técnicas de cultivo que possibilitem viabilizar a produção, adequando à mão de obra disponível as atividades, sem reduzir a qualidade das uvas, são de grande importância para região. Dentre os fatores que afetam o processo produtivo da videira, pode-se destacar a poda, que permite um melhor controle da qualidade e produtividade da planta, dentro das características da cultivar e do sistema de condução, aliando o ciclo da planta ao clima da região. Porém, essa prática requer conhecimento técnico para sua realização, atualmente a recomendação desta técnica é que esta seja realizada sempre próxima ao início da brotação, limitando assim o tempo necessário para que seja finalizada. Como temos escassez de mão de obra, estudos que forneçam informações de resposta da poda da videira em outros períodos do ano, facilitariam e tornariam mais flexível o tempo para sua realização. Nesse contexto este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da poda antecipada sobre a produção da variedade Niágara, rosa e branca, em duas safras. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados com 3 plantas por bloco, 6 plantas por tratamento. O experimento foi realizado em propriedade rural localizada no município de Cotiporã, Serra Gaúcha/RS. Em um vinhedo com 12 anos de idade, conduzido em sistema latada, com as plantas enxertadas sobre o porta-enxerto SO4, com espaçamento entre plantas de 1,5m e na fileira 2,7m. O experimento foi realizado nas safras 2014/2015 e 2016/2017. O primeiro experimento na safra 2014/2015, com a cultivar Niágara rosa, foram utilizadas duas épocas de poda: 28/04 e 02/08 (testemunha). No segundo experimento, as épocas de poda foram: 28 de abril, 4 de junho e 2 de agosto (testemunha) para a cultivar Niágara branca, na safra 2016/2017. Os parâmetros analisados foram: número e tamanho de cachos, índice de brotação (relação brotos/gemas deixadas na poda seca) e fertilidade (relação cachos/brotos), o Grau Brix e a acidez das uvas produzidas. Os dados foram submetidos a análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de nível de significância. Para ambos os experimentos, não houveram diferenças significativas para os parâmetros de qualidade e produção. A poda no mês de junho antecipou em média 9 dias a brotação, a poda antecipada no mês de abril não diferiu do tratamento testemunha. O presente trabalho permitiu inferir que a antecipação do manejo pode ser uma pratica viável para flexibilizar o período de poda e solucionar problemas ligados a mão de obra na viticultura, no entanto, estudos mais aprofundados devem ser realizados.

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