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Efeitos do extrato de sementes de uva na toxicidade induzida por glifosato em Caenorhabditis elegans
Gislaine Taís Grzeça

Última alteração: 01-02-2019

Resumo


Atualmente o uso desordenado e excessivo de agrotóxicos tem causado diversos impactos ao meio ambiente e a saúde humana. Dentre os princípios ativos mais utilizados em agrotóxicos no mundo destaca-se o glifosato. Como consequências do uso indiscriminado e do não cumprimento dos prazos de carência, tem-se as intoxicações a humanos e contaminações de rios, solos e alimentos. Tendo em vista esse cenário, o objetivo deste trabalho foi identificar e caracterizar os possíveis danos causados pela exposição ao glifosato sobre parâmetros comportamentais, fisiológicos, e enzimáticos utilizando o modelo alternativo Caenorhabditis elegans (C. elegans).Além disso, pretende-se verificar os efeitos dos extratos de sementes de uva Merlot, Pinot noir, Isabel e Bordo na possível reversão ou atenuação das alterações provocadas pelo glifosato. É importante destacar que diversos estudos têm demonstrado que os polifenóis da uva, tanto em ensaios in vitro quanto em modelos animais,  possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e pró-longevidade, tornando esses compostos promissores na prevenção e atenuação da toxicidade associada ao glifosato. Para realização dos experimentos os C. elegans do tipo selvagem N2 foram obtidos do Caenorhabitis Genetics Center, Minnesota, EUA e estão sendo mantidos em placas de Petri contendo NGM (meio de crescimento para nematoides) com E.coliOP50,a temperatura constante de 20ºC.  A avaliação dos efeitos do glifosato, será realizada através da exposição dos nematoides no estágio larval L1, de forma crônica (48 h) e de forma aguda (30 min) a concentrações variadas de glifosato, baseadas nos valores limites de glifosato em água doce, estabelecidos pelo CONAMA (65 µg/L), pela FUNASA (500 µg/L) e pela Agência de Proteção Ambiental nos Estados Unidos (700 µg/L). A partir disso, serão analisados os parâmetros de sobrevivência, longevidade, locomoção, batimentos faríngeos, postura de ovos e atividade da enzima acetilcolinesterase. Para testar se o tratamento com os extratos de diferentes tipos de uva aumentam a resistência a possíveis danos causados pelo glifosato,C. elegans serão tratados por 48 horas, do estágio larval L1 até L4, com os extratos de sementes de uva e depois expostos ao herbicida. Destaca-se que até o presente momento foi realizado o cultivo e a manutenção do C. elegans e iniciou-se a exposição às doses de glifosato, já sendo possível observar alterações comportamentais e fisiológicas nosnematoides. Também realizou-se a preparação dos extratos de semente de uva e a quantificação dos polifenois presentes nestes extratos. Com o andamento do projeto, que tem duração até fevereiro de 2019, espera-se obter os resultados compatíveis com os objetivos iniciais, e que poderão contribuir para o entendimento dos mecanismos bioquímicos e fisiológicos envolvidos na exposição ao glifosato. Assim como demonstrar um possível efeito protetor dos polifenóis presentes nos extratos de sementes de uva sobre os efeitos tóxicos induzidos por este herbicida.


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