Portal de Eventos do IFRS, Mostra Técnico-Científica 2018 - Campus Bento Gonçalves

Tamanho da fonte: 
Temperatura e tempo de frio para a superação da dormência de gemas de pessegueiro
Cristian Scalvi Lampugnani

Última alteração: 01-02-2019

Resumo


O pessegueiro apresenta um período de dormência no outono e inverno, o qual é superado pelo acúmulo de horas de frio (HF). Se a necessidade de frio da cultura não for suprida na fase de dormência, é comum a ocorrência de brotação e de floração deficientes e/ou desuniformes na retomada do ciclo vegetativo comprometendo, por consequência, a produção da espécie frutífera. A quantidade de frio requerida e as temperaturas efetivas para a superação da dormência podem variar entre cultivares e entre tipos de gemas de pessegueiro. O objetivo deste estudo foi caracterizar as necessidades de frio no período de dormência de gemas vegetativas e floríferas de cultivares de pessegueiros contrastantes em exigência de frio hibernal. Estacas de pessegueiros ‘Pampeano’ e ‘Eragil’ de 40-50 cm foram coletadas em pomares localizados em Veranópolis, RS, em 02/04/2018, com 0 HF ≤ 7,2°C a campo. Os ramos foram desinfestados com hipoclorito de sódio a 2,5%, processados em estacas de nós-isolados (estacas com 7 cm, contendo uma única gema composta) e plantados em potes com espuma fenólica umedecida. Posteriormente, as estacas foram submetidas, em câmaras climatizadas, a quatro intensidades de frio (3, 6, 9 e 12°C) e nove tempos de frio para a cultivar Pampeano (0 a 432 HF) e 13 tempos de frio para a cultivar Eragil (0 a 624 HF). A cada 48 HF, uma parcela das estacas foi transferida para a temperatura de 25°C para indução e avaliação da brotação e da floração das gemas. A avaliação da brotação e da floração ocorreu a cada 6 dias até o 30° dia. Os dados de brotação e floração foram analisados quanto aos parâmetros de brotação e floração máximos (porcentagem de gemas brotadas e com flor), precocidade (número de dias até a brotação e a floração) e uniformidade (número de dias entre a primeira e a última gema brotada ou com flor). As temperaturas de frio de 3 e 6°C foram mais efetivas para a superação da dormência das gemas de pessegueiro das cultivares Pampeano e Eragil, se comparadas as temperaturas de 9 e 12°C. A necessidade de frio para a superação da dormência foi de 192 HF para a cv. Pampeano e de 432 HF para a cv. Eragil. A efetividade das temperaturas de frio e a necessidade de frio para a superação da dormência não se diferenciaram entre as gemas vegetativas e floríferas da cv. Pampeano. Para a cultivar Eragil, enquanto as gemas vegetativas brotaram, as gemas floríferas não floresceram, decorrente de uma possível necrose dessas gemas causada pelo processo de desinfestação e/ou exposição constante à temperatura de 25ºC no processo de forçagem. A precocidade e uniformidade de brotação e de floração das gemas de pessegueiro é maior após suprido o frio exigido para cada genótipo na dormência. As respostas de brotação e floração máximas, precocidade e uniformidade para a superação a dormência, quanto aos contrastes térmicos e genéticos, identificam e qualificam a predição de retomada do ciclo vegetativo de genótipos de pessegueiro.

Texto completo: PDF