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A gestão democrática e a administração empresarial: provocações introdutórias para uma gestão escolar
Ana Alice Severgnini

Última alteração: 01-02-2019

Resumo


O debate sobre gestão escolar democrática se justifica pela necessidade de ressignificação do conceito de democracia e pela relação entre este e a gestão, enquanto forma de administração. A gestão administrativa e a gestão escolar advêm de contextos diferentes (administração e escola) que acabam por se correlacionar mais intrinsecamente quando analisadas em seus contextos históricos (administração da escola). A administração escolar, ao estar atrelada ao Sistema Capitalista no qual temos subordinados e dominadores, orienta o trabalho tanto na empresa quanto determina o currículo da escola. Ou seja, a sociedade está estruturada de tal forma que a produção, seja ela imaterial ou material, concede maior ou menor valor ao trabalho feito/produzido pelo ser humano. A reflexão foi baseada numa análise bibliográfica histórico-sócio-cultural da gestão escolar fundamentada em Paro (2016), Freire (2015) e Luce (2006). O estudo objetiva discorrer sobre a gestão democrática da escola pública, procurando contextualizar as construções sócio-históricas e culturais do ambiente escolar e as relações estabelecidas para que o processo de ensino aprendizagem seja desenvolvido, uma vez que se tem a ideia de que, diferente de uma empresa onde se busca o lucro por meio de um produto, na escola se busca a aprendizagem das crianças; do trabalho intelectual, transvertido em transformação/ação social. Além disso, procura realizar uma revisão dos conceitos de administração e democracia e as respectivas implicações, sobretudo, no ambiente pedagógico, no trabalho docente e na qualidade do processo de ensino aprendizagem. Este artigo aponta para a notória necessidade da revisão do modelo atual de divisão do poder apresentada não apenas nos cenários escolares como também nos governamentais, e a construção de pontes de diálogo como sul para suprir as evidentes falhas da democracia meramente representativa em que vivemos, através de uma abordagem democrática e participativa. A gestão, enquanto mediação, construída por meio da participação da comunidade, família e escola serve como zelo e garantia do fornecimento de um ensino de qualidade. Possibilitado pela colaboração de diferentes instâncias; diga-se de passagem, luta de diferentes classes a uma meta comum: a qualidade do ensino; a possibilidade de transformação dos sujeitos à condição de conscientes e atuantes torna-se realidade e, consequentemente, conquista-se uma maior aproximação entre a necessidade de aprendizagem do aluno e o ensino que está sendo disponibilizado a este, sem com isso, transformar a escola em uma empresa, mas sim, ampliando a possibilidade da abrangência da demanda e consolidando a transformação social dos sujeitos envolvidos neste processo.

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