Portal de Eventos do IFRS, Volume 5, 2021

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Educação Financeira: uma possibilidade de fazer diferentes escolhas
Marsoé Cristina Dahlke

Última alteração: 22-10-2021

Resumo


O presente texto expõe algumas atividades que foram desenvolvidas durante a realização de um projeto de extensão do IFRS, sob coordenação da autora deste trabalho, professora EBTT, em um período que compreende os anos de 2016, 2017 e 2018, em uma escola da rede pública estadual, Edison Quintana, no município de Ibirubá-RS. O projeto foi intitulado como "Educação Financeira: uma proposta de reflexão, organização e ação, para alunos do Ensino Fundamental". Alguns dos principais objetivos deste projeto foram educar para consumir e poupar de modo ético, consciente e responsável; ensinar a criança a planejar seu orçamento a curto e médio prazo, por meio de uma planilha de controle dos seus gastos e de sua família, observando que existem coisas que “desejamos” e outras que “necessitamos”, para nossa sobrevivência; promover conversas e discussões, sobre valores e virtudes morais, como: boas maneiras, respeito, gratidão, consumo consciente, não associar felicidade apenas ao fato de "ter dinheiro”, mas sermos pessoas melhores no que se refere a caráter, e o que nos constitui como seres humanos. Foram trabalhados também, alguns conceitos bancários, como cheque, cartão de crédito, juro, financiamento, poupança, empréstimos, entre outros. As escolas, em sua maioria, não possuem em seu currículo, o tema da Educação Financeira, o qual é diferente de Matemática Financeira. Esta, tem o objetivo de ensinar cálculos especificamente envolvendo o dinheiro; o projeto não tem esse foco. Crianças, jovens e até mesmo adultos deveriam ter na escola um momento para ler, pesquisar e receber orientações de como o aspecto relacionado ao financeiro está presente no dia a dia, oportunizando o conhecimento que lhe proporcionará futuramente uma melhor qualidade de vida, neste aspecto. O sociólogo Philippe Perrenoud (2013) escreve sobre as disciplinas ausentes do currículo, enfatizando a importância de se trabalhar este tema nos anos iniciais, pois sabe-se que a formação se dá, em boa medida, nos primeiros anos de escolarização. As famílias, por vezes, não possuem um controle sobre o que se refere à organização dos gastos. Com isso, não orientam os filhos para atitudes de responsabilidade nesse sentido. O projeto ocorreu quinzenalmente, em turmas de terceiros e quintos anos do Ensino Fundamental com a participação de alunas bolsistas, acadêmicas do curso de Agronomia e Matemática do IFRS, Campus Ibirubá. As atividades desenvolvidas foram: leituras de livros de histórias infantis, com fatos relacionados com o tema do projeto, relatos feitos pelos alunos em diferentes momentos, atividades em grupo, joguinhos para conhecer as cédulas do nosso sistema monetário, atividades envolvendo as famílias, tais como entrevistas e sugestões de como conversam sobre Educação Financeira com seus filhos. Na sequência, realizaram-se visitas a estabelecimentos comerciais da cidade, como bancos e mercados, e entrevistas com pessoas da comunidade e das famílias, para conhecer o que pensam e o que conhecem sobre o assunto, se consideram importante. A Base Nacional Comum Curricular-BNCC (BRASIL, 2018), apresenta as dez competências gerais para serem trabalhadas na Educação Básica. Uma delas é a que trata do “trabalho e projeto de vida”, e entende-se que este projeto de extensão coaduna com o que está proposto neste documento legal. A formação difere de aprendizagem, para os autores Masschelein e Simons (2014). Ao formar um conhecimento novo, o indivíduo é modificado para novas escolhas, nos espaços nos quais vive e convive. Trabalhar com os pequenos autonomia, criticidade e responsabilidade permite que se tornem adultos conscientes. Observa-se, nesse contexto, que existem muitas propagandas que prometem facilitar as compras; este fato preocupa, pois não sendo capaz de diferenciar o que necessita daquilo que deseja, o cidadão corre o risco de se endividar, isto é perceptível. Nas três edições nas quais o projeto foi trabalhado, a comunidade escolar e as famílias consideraram de grande importância este tema, pois perceberam que os filhos conseguem ter um olhar crítico ao que se refere à compra de determinado produto. As atividades foram muito bem aceitas pelas turmas, houve o envolvimento e a participação de todos, pois fazem parte do dia a dia das nossas casas. As entrevistas oportunizaram alguns relatos de pessoas que afirmaram ser um assunto essencial a ser trabalhado na escola, porque possibilita o conhecimento para as crianças em uma fase em que estão formando sua personalidade.

 

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEF, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 18 out. 2020.

MASSCHELEIN, J.; SIMONS, M. Em defesa da escola, uma questão pública. 2º ed. Autentica. Belo Horizonte, 2014.

PERRENOUD, P. Desenvolver Competências ou ensinar Saberes? A escola que prepara para a vida. Porto Alegre: Ed. Penso, 2013.


Palavras-chave


Ensino de Matemática; Conhecimento; Escolhas conscientes; Educação financeira; Estudantes.

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