Última alteração: 17-10-2025
Resumo
O envelhecimento é um processo natural e multifatorial, que pode envolver declínios físicos e cognitivos, mas não implica necessariamente em adoecimento. Nesse sentido, investir em ações preventivas e de estímulo ao longo da vida é essencial para a promoção do bem-estar na terceira idade. O aprendizado contínuo e o engajamento social configuram-se como estratégias importantes, pois atividades cognitivas e lúdicas auxiliam na prevenção do declínio mental e no fortalecimento dos laços sociais. O presente trabalho insere-se nesse contexto, com o objetivo de contribuir para o envelhecimento saudável por meio de ações voltadas ao estímulo da memória e da atenção.O projeto é de natureza qualitativa e se desenvolve por meio de reuniões semanais para planejar e executar atividades junto à comunidade externa. O público-alvo é composto por 21 idosos, com idades entre 60 e 85 anos, sendo a maioria do sexo feminino (61,9%). O perfil sociodemográfico evidencia um grupo heterogêneo, com diferentes níveis de escolaridade, renda, acesso digital e hábitos de socialização.No primeiro semestre de 2025, a metodologia consistiu na elaboração e aplicação de questionários diagnósticos com perguntas abertas e fechadas sobre aspectos de memória, rotina, lazer, hábitos de leitura, uso de tecnologias e percepção sobre atividades cognitivas. O objetivo foi compreender o perfil e as demandas dos participantes. As respostas foram analisadas pela técnica de análise de conteúdo, organizadas em três eixos principais: memória, atenção e socialização. Esses dados serviram de base para o planejamento das atividades práticas realizadas no segundo semestre.Na etapa seguinte, as ações foram voltadas ao estímulo cognitivo, de forma lúdica e interativa. Foram aplicadas quatro dinâmicas principais: o caça-palavras, voltado ao exercício da memória visual e da associação de palavras; a brincadeira de palavras, que exigia citar termos relacionados a um tema sem repetições, estimulando memória semântica e raciocínio rápido; e o jogo do copo, voltado à atenção, em que comandos aleatórios eram dados e, ao ouvir “copo”, os participantes precisavam agir rapidamente para pegá-lo, exercitando foco e prontidão.A avaliação do impacto das atividades é contínua e ocorre por meio da observação participante, registros de campo e relatos espontâneos dos idosos. Os dados qualitativos consideram engajamento, interação, desempenho e percepções sobre as atividades. Observou-se melhora na atenção e na agilidade de resposta, bem como relatos de lembrança mais ativa de compromissos e aumento do interesse em participar de grupos sociais.Essas evidências qualitativas indicam que práticas cognitivas e sociais contribuem para o bem-estar e a saúde mental das pessoas idosas. A interação presencial mostrou-se uma ferramenta eficaz para combater a solidão e fortalecer vínculos, enquanto as atividades lúdicas, ao mesmo tempo desafiadoras e acessíveis, favorecem a manutenção das funções cognitivas e da autoestima na terceira idade.