Última alteração: 16-10-2025
Resumo
A família Passifloraceae apresenta espécies de importância ecológica, ornamental e alimentar, sendo muitas nativas do Brasil. Dentre essas, encontra-se Passiflora elegans Mast. (maracujá-de-estalo), espécie ameaçada e pouco estudada do ponto de vista agronômico. Portanto, estudos avaliando a biometria dos frutos e sementes, podem fornecer informações relevantes sobre a variabilidade morfológica, subsidiando ações de conservação e apontando potenciais aplicações em programas de cultivo e melhoramento. Este estudo teve como objetivo caracterizar a biometria de frutos e sementes de P. elegans, no município de Getúlio Vargas (RS). Foram coletados, ao todo, 50 frutos, de 10 plantas, em população nativa. Para os frutos, foram avaliados: comprimento; diâmetro; massa total do fruto; massa do pericarpo; massa da polpa com sementes; massa da polpa; massa das sementes; e contados o número de sementes por fruto. Também foram analisadas 100 sementes (duas por fruto), mensurando: comprimento; largura; espessura da semente, em milímetros (mm); e massa individual, em gramas (g). Os frutos apresentaram, em média, comprimento de 28,3 ± 2,6 mm, diâmetro de 29,3 ± 3,2 mm e massa total de 8,6 ± 2,7 g, o que os classifica como pequenos frutos, em comparação às espécies cultivadas, como P. edulis, em que os frutos ultrapassam 180 g. A massa média do pericarpo foi de 2,8 ± 0,9 g, da polpa com sementes 5,8 ± 2,0 g e da polpa 5,1 ± 1,8 g, da polpa com sementes 2,7 ± 2,0 g e da massa das sementes 0,7 ± 0,2 g por fruto. O número de sementes por fruto variou de 17 a 112, com média de 66 ± 22,9. As sementes apresentaram, em média, comprimento de 4,29 ± 0,04 mm, largura de 2,95 ± 0,03 mm, espessura de 1,69 ± 0,02 mm, e massa média de 0,007 ± 0,002 g por semente. Esses valores se assemelham aos encontrados em outras espécies silvestres do gênero Passiflora, como P. foetida L. e P. cincinnata Mast., reforçando padrões biométricos comuns em espécies não domesticadas. Os resultados evidenciam grande variação nos parâmetros analisados, característica atribuída à condição silvestre da espécie e indicativa de alta variabilidade genética intraespecífica. Essa diversidade é fundamental para estratégias de conservação, ao mesmo tempo em que reforça o potencial de aproveitamento da espécie em sistemas produtivos. Conclui-se que P. elegans apresenta frutos de pequeno porte e elevada amplitude de variação morfológica, confirmando sua relevância como recurso genético nativo, com potencial de utilização em pesquisas, melhoramento e conservação.