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Oficinas de Matemática e Pensamento Computacional na Escola Estadual Indígena Kuaray Rese
Lavínia Rocha Rosa, Jade Garcia Rocha

Última alteração: 10-03-2025

Resumo


O presente trabalho traz reflexões acerca das oficinas de matemática e pensamento computacional realizadas na Escola Indígena de Ensino Fundamental Kuaray Rese, que partiram de recursos que trabalham de forma concreta e abstrata conceitos presentes na realidade da comunidade indígena. As oficinas integram o projeto de extensão “Criando espaços de construção de aprendizagens interculturais” que tem como um de seus objetivos realizar encontros de formação pedagógica na escola indígena. As oficinas visaram trabalhar uma matemática crítica, contextualizada e interdisciplinar, promover a alfabetização e educação matemática e proporcionar uma imersão no processo do pensamento computacional na forma de resolução de problemas, objetivando promover um ensino matemático mais simples e a introdução do desenvolvimento de pensamento computacional dos estudantes de forma facilitada. O trabalho surgiu a partir de uma carta de demanda da Escola Kuaray Rese apresentada ao IFRS Campus Osório, que manifestava a dificuldade que os professores indígenas tinham em trabalhar conteúdos matemáticos nas aulas. Os encontros foram realizados com uma metodologia colaborativa, qualitativa e investigativa que valoriza o processo de desenvolvimento ao invés do certo ou errado e priorizaram realizar as oficinas de acordo com os elementos presentes nas situações diárias e na cultura da comunidade indígena. Aconteceram dois encontros presenciais na escola, no turno da tarde, com a participação de todos os estudantes de turmas multisseriadas, fazendo com que os objetivos de cada atividade fossem adaptados às suas idades. Foi observado que a participação e o encantamento dos participantes com a proposta das atividades contextualizadas é o elemento essencial para o desenvolvimento e aprendizagem de uma matemática valorizada  e significativa, ao invés da promoção de conhecimento de forma “decorada”. As oficinas iniciaram com a música El Pescador, em espanhol, que contempla valores não capitalistas, após isso, foi abordado o reconhecimento de padrões, a identificação de representações de unidades de medida de diferentes variáveis, o reconhecimento da espécie dinheiro, operações matemáticas relacionadas às situações financeiras e um algoritmo matemático que transforma-se em um desenho geométrico - uma borboleta que, em Guarani, é a popoi. Em suma, o trabalho proporcionou a inserção de todos em um espaço de socialização, envolvimento e integração. Cada participante, com diferentes perspectivas, foi possibilitado de aprender, reconhecendo a relevância de todos os aprendizados: dos professores, que planejaram colaborativamente as oficinas; dos estudantes bolsistas, que monitoram as atividades e aprenderam em conjunto com os estudantes indígenas, a partir de experiências práticas e interculturais. Como ações futuras, pretende-se produzir e disponibilizar à escola um material didático-pedagógico elaborado a partir dessa experiência para garantir que outros professores possam seguir desenvolvendo trabalhos que promovam a integração entre pessoas indígenas e não-indígenas e façam com que essas práticas sejam menos dissociáveis.


Palavras-chave


educação intercultural, pensamento computacional, etnomatemática

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