Portal de Eventos do IFRS, 9º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

Tamanho da fonte: 
O direito à literatura: a luta pela reconstrução das bibliotecas no Rio Grande do Sul
Brenda Lima Pereira, Ana Paula Cecato De Oliveira

Última alteração: 24-02-2025

Resumo


As bibliotecas, espaços essenciais para a preservação da memória cultural de um povo, , sofreram graves danos em seus acervos e equipamentos nos anos de 2023 e 2024, em decorrência de duas enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul. Em 2023, 80 cidades, especialmente no Vale do Taquari, foram afetadas, e, em 2024, cerca de 470 municípios gaúchos enfrentaram algum tipo de prejuízo. O presente trabalho, intitulado” O direito à literatura: a luta pela reconstrução das bibliotecas no Rio Grande do Sul”  revela o impacto das enchentes no acesso ao direito humano ao livro e à literatura, por meio de um levantamento sobre a quantidade de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias que tiveram perdas de acervos de livros Este estudo faz parte do projeto de extensão “Histórias para Adiar o Fim do Mundo”, do IFRS Campus Viamão, que trabalha na reconstrução de bibliotecas e no apoio a artistas do segmento da literatura, promovendo atividades culturais em espaços comprometidos que também receberão doações de livros. Os dados apresentados focam nas consequências das inundações de maio de 2024, e foram coletados por meio de informações disponibilizadas em sites de órgãos públicos (prefeituras e secretarias de educação) e entrevistas online com bibliotecários responsáveis pelos setores de educação e cultura do RS. Nas bibliotecas públicas, foram identificadas 41 unidades atingidas, com uma necessidade de reposição de 100.000 livros. Nas escolas estaduais, 138 bibliotecas foram afetadas, requerendo 245.090 exemplares para recomposição dos acervos. Além disso, prefeituras da região metropolitana também reportaram perdas em bibliotecas escolares municipais. A rede Beabá, de bibliotecas comunitárias, teve duas unidades diretamente impactadas, e outras duas foram identificadas através de relatos em redes sociais de pessoas envolvidas com esses espaços. Este diagnóstico evidencia que a reconstrução dessas bibliotecas envolve desafios que vão além da reposição material, englobando também a superação dos impactos emocionais sobre os profissionais que dedicam suas vidas à promoção da leitura e às comunidades que frequentam esses espaços. No entanto, apesar da tragédia, há sinais de esperança, demonstrados pelos esforços e pela união da comunidade. Nesse sentido, o projeto de extensão atua para que novas histórias possam ser contadas, vividas e sonhadas, seguindo as palavras do líder indígena Ailton Krenak, ao nos lembrar que,  ao contarmos mais uma história, estamos adiando o fim do mundo.

Palavras-chave


bibliotecas, enchentes de 2024, projeto de extensão.

Texto completo: PDF